domingo, 27 de dezembro de 2009

Experiência AVATAR 3D IMAX



Neste sábado estive em Curitiba para assistir "Avatar" numa sala de cinema IMAX 3D no Shopping Palladium.
Posso dizer, com experiência de causa, que sei como aquelas pessoas no "Grand Café" em Paris se sentiram no final do século XIX na primeira exibição pública do cinematógrafo!
A experiência Avatar Imax 3d só pode ser comparada a "Chegada de um trem à estação de La Ciotat" quando os espectadores se assustaram com a imagem de um trem na tela vindo em sua direção.
Avatar 3D Imax é a reinvenção da experiência cinematográfica, e o conceito de "Profundidade de Campo" ganhou um upgrade quase insuperável, agora falamos em "Perspectiva Virtual"! Em cenas que se passavam nas alturas, eu realmente tive a sensação de vertigem, fiquei com medo de cair! Dá pra acreditar numa coisa dessas?
A tela Imax é 6 vezes maior que uma tela normal de cinema, ela ocupa praticamente todo o seu campo de visão, isso significa que quase tudo o que você vê é a tela, você se sente submergido naquele mundo surreal.
Sem contar que as imagens chegam ao absurdo de serem palpáveis, tão alto é o grau de definição e riqueza de detalhes. É normal ver as pessoas esticando o braço para querer tocar a imagem, eu mesmo tive essa vontade algumas vezes, mas me contive porque sabia que era uma ilusão.
Quanto à narrativa, não houve evolução neste campo, a história de Avatar é praticamente a mesma de Pocahontas, anabolizada. Eu assumo que quando assisti o trailer e vi o poster pela primeira vez achei tudo uma grande baboseira, mas a tecnologia empregada mudou tudo!

Para quem estiver interessado em sentir o que eu senti, aqui está o link para você comprar o seu ingresso. Tem que comprar antecipado, porquê é impossível conseguir ingressos na hora.
Ele custa 33 reais, parece caro, mas garanto que essa experiência ficará guardada na sua memória para sempre provavelmente como a mais empolgante aventura cinematográfica. Culpe o James Cameron.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Amar e perder Glauber Rocha: viúva do cineasta estreia filme sobre os últimos meses do artista

Essa reportagem está no site da Revista Marie Claire, apenas copiei e colei ela aqui, esse é o endereço http://revistamarieclaire.globo.com/Revista/Common/0,,EMI110329-17642,00-AMAR+E+PERDER+GLAUBER+ROCHA+VIUVA+DO+CINEASTA+ESTREIA+FILME+SOBRE+OS+ULTIMO.html


Por Letícia González
Paula Gaitán
Paula fotografa o marido pelo reflexo de um espelho

“Diário de Sintra” é um documentário, mas um diferente da maioria do gênero. Não há nomes que apresentem as pessoas na tela, indicação de data ou um discurso linear. No filme de Paula Gaitán, viúva e mãe de dois filhos de Glauber Rocha, quem fala é a voz de uma mulher que perdeu, 25 anos antes, um grande amor.

Para fazê-lo, Paula voltou a Sintra, a pequena cidade portuguesa onde viveu com o cineasta e as crianças em uma espécie de autoexílio. O ano era 1981 e a época foi de intensa produção para Glauber. A família viveu lá até que ele, doente, teve de ser trazido de volta ao Brasil. O diretor morreria no dia seguinte ao desembarque.

Como a própria Paula explica, “Diário de Sintra” não é um filme sobre o Glauber Rocha. É um jogo de memória que, poético, pode emocionar qualquer pessoa que já viveu uma perda. Foi o que ocorreu no festival de Tribeca, em Nova York, no ano passado, quando Paula viu muitas pessoas comovidas no fim de uma sessão do filme. “Poucas pessoas ali já tinham visto um filme do Glauber”, diz ela.

Marie Claire Online conversou com a artista sobre a época que inspirou o filme, que estreia nesta sexta-feira em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador.

Marie Claire - O Diário de Sintra é um filme sobre um passado pessoal seu. Por que fazê-lo?
Paula Gaitán - Eu tinha esse material, feito em 1981, que tinha ficado no passado. Eu nunca havia mexido. Aí passados 25 anos, participei de um edital do Itaú e ganhei. Eu sempre fui correta sobre o tema: não é um filme sobre o Glauber, é uma construção minha a partir dele. E quando você faz um filme, é porque existe uma necessidade vital de fazê-lo, uma pulsão que te leva. Foi o que aconteceu.

MC - Nele, o fluxo de narração dele não é linear. Por que?
PG - Porque a memória não é linear mesmo. Ela é cheia de faltas e vazios, partes escuras que você não consegue alcançar. Para falar de memória, você parte do esquecimento e constrói essa coisa fragmentada, feita de associações livres. A memória é muito sensorial, olfativa. E o filme é sensorial também.

MC - Assistí-lo é como remexer em uma caixa de lembranças para você?
PG - No começo, quando fiz o filme, a questão da produção se impunha. Viajamos a Portugal e acontecia de acordar às 5h para trabalhar, tinha uma rotina. Ele ficou pronto em 2007 (eu o montei muito rapidamente). O que acontece agora é que, cada vez que vejo o filme me emociono mais. É como se visse filme de outra pessoa. Porque todo mundo tem perdas - às vezes nem é por morte, pode ser um namorado que foi embora ou a relação que acabou, e você tem que viver aquele luto. O filme fala delas, da ausência, não só da viuvez.

 Divulgação
Glauber, a pequena Ava e Paula

MC - Por que vocês estavam em exílio em Sintra?
PG - O Glauber tinha feito “A Idade da Terra” e nós fomos com ele para Veneza, eu ele e as crianças. O filme não teve uma boa acolhida no Brasil, pois tinha uma proposta muito à frente de seu tempo. E ele sofreu muito com isso, teve muitas decepções. Se sentiu exilado de novo. Então decidiu ir para Sintra, queria ficar isolado.

MC - Como eram esses meses em família?
PG - Foi um período muito interessante, bonito. Sintra é bucólica, é pra onde iam os poetas românticos, como o Lord Byron. Foi fértil. Ele escreveu vários roteiros. O Glauber tinha uma disciplina inacreditável, era muito rigoroso e certinho. As pessoas têm uma visão de que ele tinha uma personalidade exuberante, mas ele começava a trabalhar na máquina de escrever às 8h, ia até as 12h, almoçava e depois retomava.
O problema é que havia sido uma longa batalha mesmo. E aquilo afetou a saúde dele. Eu costumo dizer que, às vezes, o quando o guerreiro repousa, o seu corpo não resiste. Ele não resistiu.

MC - Você esteve com Glauber nos últimos anos da vida dele. Como é sobreviver à morte de um grande amor como esse?
PG - Caracas, é difícil. Foi para isso que fiz o filme. Eu tenho muitos amores, sou uma mulher apaixonada. Mas os grandes amores permanecem.

MC - Você guarda muitas coisas do Glauber?
PG - Guardo porque ele foi um homem importante. Ele não foi um grande amor só para mim, mas também para quem ama o cinema dele, para quem segue suas ideias. Não é um privilegio meu, que fui companheira dele... [Paula se desculpa por não conter o choro]. Eu fico emocionada. Esse amor não me pertence, é um amor coletivo, porque ele é um homem público.

MC - Assim como ele, você é uma artista [Paula é cineasta e poeta]. O que Glauber lhe ensinou sobre arte?
PG - O Glauber deixou uma lição para muitos artistas, que é a possibilidade da invenção, da liberdade, e de lutar por isso. De ter coragem, ter uma ética e uma estética. Na história da humanidade você vê gente que aderiu a movimentos de extrema direita e teve obras artísticas revolucionárias. Mas é essa coerência [que esses artistas não tiveram] que o Glauber deixou.

MC - O mundo conhece o Glauber intelectual, cineasta. Como era o Glauber pai e marido?
PG - Ele era muito dedicado. Era generoso, carinhoso, como os pais têm de ser. A generosidade é do carater do Glauber, ele sempre se doou muito aos amigos também. É muito bonito a parte [do filme] em que ele canta com as crianças. A Ava fica repetindo, e agora ela se tornou uma cantora incrível.

MC - Você se apaixonou novamente depois de Glauber?
PG -
Sim, me apaixonei. Eu tenho uma filha de 20 anos que é fruto de outra paixão. Eu sou uma mulher de grandes paixões, espontânea e intuitiva. É a minha maneira de me dedicar às coisas de coração aberto.

Paula Gaitán
Glauber em foto feita por Paula. No filme, a imagem é dada a moradores da pequena cidade, que falam sobre a identidade do fotografado

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Heco - Portal Brasileiro de Cinema


A Heco Produções é uma empresa especializada em desenvolver projetos culturais em diferentes cidades do Brasil na área de audiovisual.
Fazem mostras de filmes considerados de difícil e raro acesso, promovem debates, em 2004 produziram um longa metragem e nesse ano, em parceria com a Lume Filmes, lançaram em dvd uma coleção preciosíssima de filmes do cinema marginal brasileiro (lançaram "Sem Essa, Aranha" Sganzerla, "Os Monstros de Babaloo" Visconti, "Bang Bang" Tonacci e "Meteorango Kid" Luiz de Oliveira) com ótimos extras como entrevistas com os cineastas e curtas e médias metragens raríssimos. Há ainda a previsão de mais 8 lançamentos em dvd.
Mas o mais interessante que tenho para mostrar a vocês é o site da Heco, que possui um acervo com centenas de textos sobre uma expressiva contribuição do cinema nacional escrito por pessoas importantes do meio. O site está bem dividido por blocos de pesquisa: "Cinema Marginal Brasileiro", "Leila Diniz", "José Mojica Marins - Retrospectiva", "Nelson Rodrigues", "Walter Hugo Khouri" e por aí vai. Uma fonte primordiosa de conhecimento!
Em breve o site irá se expandir com uma nova enxurrada de textos, entrevistas, fotos, ensaios, críticas, vídeos.

Um biscoito finíssimo.

Aproveitem

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O Beijo no Asfalto


Já vi algumas adaptações de peças do Nelson Rodrigues para o cinema; A Falecida, A Dama do Lotação, Boca de Ouro, todas boas, umas mais outras menos, mas essa de Bruno Barreto é disparada a pior!
Será que na época o cara não tinha nenhuma noção de direção de atores? Seu único intuito foi filmar uma peça de teatro?

Do livro "Esculpir do tempo", escrito pelo cineasta russo Andrei Tarkovski, tirei esses trechos para embasar minhas observações:

"Pode-se representar uma cena com precisão documentária, vestir os atores de forma naturalisticamente exata, trabalhar todos os detalhes de modo a conferir-lhes uma grande semelhança com a vida real e, mesmo assim, realizar um filme que em nada lembre a realidade e que transmita a impressão de um profundo artificialismo, isto é, de não fidelidade com a vida, ainda que o artificialismo tenha sido exatamente o que o autor tentou evitar."

"(...) os filmes de Lumière foram os primeiros a conter a semente de um novo princípio estético. Logo a seguir, porém, o cinema distanciou-se da arte e empenhou-se em seguir o caminho mais seguro dos interesses medíocre e lucrativos. Nas duas décadas seguintes, filmou-se praticamente toda a literatura mundial. além de um grande número de obras teatrais. O cinema foi explorado com o objetivo direto e sedutor de registrar o desempenho teatral; tomou o caminho errado, e temos de aceitar o fato de que ainda hoje sofremos as tristes conseqüências dessa atitude.

Bruno Barreto fez tudo o que Tarkovski mais detestava no cinema, foi um baita de um preguiçoso e fez de um dos textos mais importantes do teatro uma peça sem graça, sem vida, quase sem significado. E não estou pedindo que Bruno Barreto tivesse transformado o filme numa obra moderna.

Pra quem interessar, esse é o link torrent pra downloadear o filme

ed2k://|file|O.Beijo.no.Asfalto.filbradown.blogspot.com.avi|732203008|66ACCBBCD4C5D1BF51F6AC5CB6751CCC|/


Mas peço que antes de assistir o filme, leia o texto original, como eu fiz. É um texto curto, dá pra ler numa tarde ou duas. Infelizmente não encontrei o texto para download, aquele link é para as opções de compra na Estante Virtual.

Até!



quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Ainda mais lições de arte e vida com Tarkovski

"(...) os filmes de Lumière foram os primeiros a conter a semente de um novo princípio estético. Logo a seguir, porém, o cinema distanciou-se da arte e empenhou-se em seguir o caminho mais seguro dos interesses medíocre e lucrativos. Nas duas décadas seguintes, filmou-se praticamente toda a literatura mundial. além de um grande número de obras teatrais. O cinema foi explorado com o objetivo direto e sedutor de registrar o desempenho teatral; tomou o caminho errado, e temos de aceitar o fato de que ainda hoje sofremos as tristes conseqüências dessa atitude. Na minha opinião, o pior de tudo foi o fracasso em explorar artisticamente o mais precioso potencial do cinema - a possibilidade de imprimir em celulóide a realidade do tempo."

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Mais lições de arte e vida com Tarkovski

óbvio que a arte não pode ensinar nada a ninguém, uma vez que, em quatro mil anos, a humanidade não aprendeu absolutamente nada."

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Hitler IIIº Mundo


Pra quem curte cinema marginal na veia, ou apenas é um puta curioso, esse é O filme para se ver agora!
Confesso que estou muito cansado de ver sempre as mesmas imagens, meus olhos pedem por coisas novas, novas texturas, novos fatos, absurdos, improváveis, irracionais, não aguento mais essa "lógica interna da narrativa"

NÃO AGUENTO!

Deve ser por isso que curto tanto o cinema marginal, pois ele tem o dever nenhum com ninguém, não precisa prestar contas, render milhões na bilheteria ou agradar à executivos, está fora do capitalismo e por isso é livre. Esse filme é uma bela de uma cagada raivosa e necessária, uma explosão, ao avesso, causada pelo excesso de lógica. Uma obra, que como "Sem essa, Aranha" do Sganzerla, se seu próprio autor não a tivesse produzido elas existiram de alguma outra forma. Não me pergunte como!

Descobri esse "Hitler IIIº Mundo" no blog do Daiverson Machado (http://eztetyka.blogspot.com/) que conheci através da comunidade "Cinema Brasileiro Download". O Blog dele é bem legal pra quem já tá de saco cheio dessas imagens lógicas e banais. Um blog cheio de dicas de ótimos diretores e filmes do mundo inteiro, que vou fazendo downloads na medida do possível!

tão ai os links para baixa-lo:

Aproveitem meus queridos! Aproveitem!

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Lições de "mise en scène" com Tarkovski!



"Pode-se representar uma cena com precisão documentária, vestir os atores de forma naturalisticamente exata, trabalhar todos os detalhes de modo a conferir-lhes uma grande semelhança com a vida real e, mesmo assim, realizar um filme que em nada lembre a realidade e que transmita a impressão de um profundo artificialismo, isto é, de não fidelidade com a vida, ainda que o artificialismo tenha sido exatamente o que o autor tentou evitar."

(...)

"Na vida real, podemos nos deixar impressionar pela maneira como um episódio assume um aspecto de uma "mise en scène" de máxima expressividade. Ao nos depararmos com ela, talvez exclamemos com prazer : "Mesmo que você tentasse, não conseguiria um resultado assim!" O que é isso que achamos tão extraordinário? A incongruência entre a "composição" e o que está acontecendo. Na verdade, o que nos encanta a imaginação é o absurdo da "mise en scène"; este absurdo, porém, é apenas aparente e oculta algo de grande significado que confere à "mise en scène" a qualidade de absoluta convicção que nos leva a acreditar no acontecimento.

A questão fundamental é que não convém evitar as dificuldades e reduzir tudo a um nível simplista; é extremamente importante, então, que a "mise en scène", em vez de ilustrar alguma idéia, exprima a vida - o caráter dos personagens e seu estado psicológico. Seu objetivo não deve reduzir-se a uma elaboração do significado de um diálogo ou de uma seqüência de cenas. Sua função é surpreender-nos pela autenticidade das ações e pela beleza e profundidade das imagens artísticas - e não através da ilustração por demais óbvia do seu significado. Como é tão comum acontecer, enfatizar excessivamente as idéias só pode restringir a imaginação do espectador, criando um espécie de limite máximo às idéias, para além do qual abre-se um grande vácuo. Não se trata de algo que defenda as fronteiras do pensamento, mas de algo que simplesmente limita as possibilidades de penetrar em suas profundezas."



Extraido do livro "Esculpir do tempo"



quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Tarkovski tinha senso de humor!





Nas primeiras páginas do livro "Esculpir o Tempo", escrito por Tarkovski, o cara transcreve cartas que recebeu de pessoas que assistiram ao seus filmes.

Um engenheiro de Leningrado disse assim: "Vi seu filme, 'O Espelho'. Assisti até o fim, apesar da grande dor de cabeça que me foi provocada na primeira meia hora pelas tentativas de tentar analisá-lo, ou de ao menos compreender alguma coisa do que se passava, alguma relação entre os personagens, os acontecimentos e as recordações...Nós, pobres espectadores, vemos filmes que são bons, maus, muito maus, banais ou extremamente originais. Porém, no caso de qualquer um desses filmes, podemos sempre entender, ficar entusiasmados ou entediados, conforme o caso, mas... o que dizer do seu filme?!..."

Um outro engenheiro ficou terrivelmente indignado: "Faz meia hora que saí do cinema, onde assisti ao seu filme, 'O Espelho'. Pois muito bem, camarada diretor!! Também o viu? A impressão que tenho é de que há algo de doentio neste filme... Desejo-lhe todo o sucesso em sua carreira, mas asseguro-lhe que não precisamos de filmes assim."

Talvez o problema seja com os engenheiros mesmo, aqui tem mais uma: "Que vulgaridade, que porcaria! Bah, que revoltante! De qualquer forma, creio que seu filme não irá mesmo fazer muito sucesso. Com toda a certeza, não conseguiu atingir o público, e, afinal, é isso o que importa... .(...) É de admirar que as pessoas responsáveis pela distribuição de filmes na União Soviética deixem passar tais dispares."

Tarkovsi diz que esse tipo de correspondência costumava desesperá-lo: "afinal, para quem eu estou trabalhando, e por quê?". O que o reconfortava eram cartas de outro tipo de espectador, mais abertos às novidades: "Certamente não sou o primeiro, nem serei o último, a escrever-lhe completamente desnorteado, pedindo ajuda para entender 'O Espelho'. Em si, os episódio são muito bons, mas como ligá-los entre si?" "O filme é tão diferente de tudo o que já vi, que não estou preparada para entendê-lo, tanto no que diz respeito à forma quanto ao conteúdo. Você poderia explicá-lo?"

Até hoje nunca vi um filme do Tarkovski, mas esse é um fato que logo irá mudar, porque depois que li estas cartas em seu livro virei fã do cara! Fiquei admirado com esse desprendimento quase doentio, esse poder de rir da própria desgraça, num momento tão sensível que era durante a produção do livro, que lhe custou tanto. Não é qualquer artista que é capaz de expor seus traumas profissionais dessa forma.

Nome Próprio


Ano passado, quando estive visitando sozinho Porto Alegre, haviam quatro filmes nacionais em cartaz. Na época dois me interessavam realmente: "Linha de Passe" de Walter Salles e "Nome Próprio" de Murilo Salles. Infelizmente não tinha tempo para assistir os dois!

Como "Linha de Passe" tinha ganho uma Palma de Ouro pelo trabalho da atriz Sandra Corveloni acabei indo ver esse filme apenas por este fato.

Hoje percebo o erro que cometi, deveria ter escolhido "Nome Próprio", vi esse filme semana passado. Com certeza foi uma grande surpresa, é um dos melhores filmes contemporâneos que vi esse ano!

O filme é baseado nos livros "Máquina de Pinball" e "Vida de Gato, escritos por Clara Averbuck, que por sua vez são baseados nas experiências que a autora teve com seu blog. Ele retrata toda uma (no caso, a minha) geração, personificada por Camila (Leandra Leal), de 20 e poucos anos, "fudida", morando fora de casa, praticamente marginal, inteligente, blogueira, "promíscua", "esquisita", apaixonada por arte (no caso da personagem são as palavras que a movimentam).



Fiz uma busca para comprar o dvd, só encontrei em uma loja por R$70,00 !!!!!

dá-lhe torrent!

ed2k://|file|Nome.Proprio.DVDRip.XviD-pedr1nho(emule.via.clan-sudamerica.net).avi|729151488|33FF66D67C9DE482D34A517BC613E94F|/

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O Cinema Pós-Moderno Brasileiro




Muito se fala do cinema moderno brasileiro, o Cinema Novo e o Cinema Marginal, mas há outro estilo cinematográfico tão interessante quanto esses, porém sem o devido reconhecimento, é o Cinema Pós-Moderno.

Mesmo no cinema internacional este é um estilo pouco utilizado, em comparação com o cinema moderno. Filmes como "O Fundo do Coração" (Coppola), "Blade Runner"(Scott), "Brazil- o filme" (Gillian), "A Mulher do Tenente Francês" (Reisz), "Veludo Azul" (Lynch) dentre outros poucos títulos se encaixam dentro deste estilo. Talvez porque na década de oitenta a expressão "pós-moderno" servia mais para denegrir do que para classificar é que houve um enfraquecimento das atividades e estudos relacionados a ele. Chamar um filme, ou peça artística, de pós-moderno era na verdade o estar ofendendo

Descobri esse estilo artístico no cinema através do livro "Cinema Brasileiro Pós-Moderno - O Neon Realismo" de Renato Luiz Pucci Jr (entrevista) que acabei de ler e transcrevo aqui um trecho que explicita as características do cinema pós-moderno. O livro analisa o pós-moderno dentro da "Trilogia Paulista da Noite" formada por: "Cidade Oculta" de Francisco Botelho, "Anjos da Noite" de Wilson Barros e "A Dama do Cine Shangai" de Guilherme de Almeida Prado.

1) Oscilação entre narração clássica e recursos de linha modernista. Os filmes analisados são híbridos de ilusionismo clássico e distanciamento modernista.

2) Preeminência da paródia lúdica. O recurso mais utilizado para a obtenção de distanciamento é a paródia, com um aspecto lúdico que se traduz por um jogo não destrutivo com o hipotexto (a obra parodiada). Deixa-se de lado, portanto, a busca obsessiva da originalidade, própria do modernismo.

3) Caráter estetizante que não se esgota na procura do belo. A estetização opera não no sentido de criar a beleza e seduzir, embora esses efeitos estejam presentes. Como no Camp (estilo artístico kitsh), goza-se o fascínio do falso (fake), sabendo-o falso, o que constitui outra forma de distanciamento em relação à diegese.

4) Impureza em relação a outras artes e mídias. Em troca de esforço pelo "específico fílmico", ou ao menos pela sua aparência, o hibridismo transtextual transforma-se num valor positivo.

5) Relação conciliável e, ao mesmo tempo, não íntegra em relação à cultura midiática. Relações com o cinema de entretenimento, videoclipes e propaganda não constituem integração ao status quo. o ar respeitoso para com produtos da indústria do entretenimento e da publicidade não esconde que se empreende também sua contestação: os filmes se revelam enquanto discursos mesmo ao incorporar componentes do musicais americanos, do noir e de peças publicitárias, pois a combinação com recursos distanciadores produz, em maior ou menor grau, a quebra do ilusionismo. A paródia lúdica possui esse aspecto duplo e antitético: ela é definida como diferença irônica no âmago de semelhança e trangressão sancionada da convenção (Hutcheon, 1991, p.12). É sancionada porque não entra en choque destrutivo com os seus objetos, em geral produtos da cultura midiática, mas é trangressiva porque utiliza de forma descontestualizada.

6) Não-exclusão a priori do especator sem repertório sofisticado. Ao contrário do que ocorre com as variantes do cinema moderno, não existe exclusão prévia do grande público, pois sempre há elementos clássicos suficientes para que o espectador tenha a possibilidade de acompanhar as narrativas mesmo que não perceba ironia, paródia lúdica, distanciamento e anti-ilusionismo. por outro lado, basta que se "vejam as aspas", isto é, as marcas da ironia, para que os filmes adquiram outra configuração e, por consequência, outras possibilidades de entendimento.

7) Persistência da representação, com predomínio hipertextual. Não há o apocalíptico baudrillardiano, porque se permanece no domínio da representação. em vez de ocasionar a perda de referênciais, como supõem críticos mais acerbos, as representações de representações (devidas à hipertextualidade) podem produzir a compreensão do processo de construção narrativa ou de diferentes conotações do discurso que se enuncia. Também nesse aspecto há combinação entre representação clássica e denúncia da representação.




Imagino que você tenha ficado curioso para conhecer esses filmes. Então saiba que, por enquanto, na rede, só há "Cidade Oculta":

ed2k://|file|Cidade.Oculta.1986.VHSRip.XViD(emule.via.clan-sudamerica.net).avi|1468366848|3B3116F3FC59AFCEE6A3DA06AE5CC15F|/

Logo os outros dois também estarão disponíveis. E "Anjos da Noite" existe em dvd para comprar, achei por R$26,01 + frete no WallMart . Garanto que é uma ótima compra!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Anamorfes Cronotópicas

Mais uma postagem sobre Anamorfes Cronotópicas, que nada mais é do que uma distorção registrada em tempo real (e não pós-produzida) causada pela impressão do tempo em diferentes momentos.
Não vejo nenhuma utilidade prática para isso, mas o resultado é legal.
Veja ai:


Chronotopic Anamorphosis from Marginalia Project on Vimeo.

Vídeo criado pela equipe Marginalia baseado nos estudos de Zbigniew Rybczynski no livro "The Fourth Dimension" , e analisados por Arlindo Machado no livro "Pré-Cinemas e Pós-Cinemas". Hoje esta equipe está viajando o mundo apresentando seu trabalho audiovisual em museus de arte contemporânea.

sábado, 14 de novembro de 2009

A 1ª vez que fui ao CINEMA



Foi em 1989, aqui em Joinville, no antológico (e agora Igreja Universal) Cine Palácio, assisti "Super Xuxa Contra o Baixo Astral". Na época eu tinha 4 ou 5 anos.
Quase duas décadas se passaram e recetemente encontrei esse filme via torrent. Quase impossível descrever o que senti quando os primeiros acordes da música "Arco Iris" tocaram logo nos primeiros minutos do filme. Senti um frio na espinha como talvez nunca tinha sentido antes, um raio congelante que desceu do meu cérebro rasgando minha espinha e arrepiando cada pelinho do meu corpo, talvez por alguns milésimos de segundos tenha perdido minha visão e todos os outros sentidos. Um orgasmo assexualizado.




Revendo o filme percebi como ele influenciou (mais pro mal do que para o bem) a minha infância, e provavelmente a de muitas crianças também. As músicas, as coreografias, a roupa da Xuxa, o Xuxo, todo o brilho, as cores, o show absurdo de merchandising, a inocência fingida, as psicodelias...

Aqui está o link para você copiar, colar e baixar no seu programa p2p:

ed2k://|file|Super Xuxa Contra o Baixo Astral.avi|725585920|3CDF68275727E5935325390305DBD88F|/

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Ele ganhou uma Palma de Ouro



Dia 7 deste mês morreu o único brasileiro vencedor de uma Palma de Ouro, Anselmo Duarte.

Em 1962 "O Pagador de Promessas" também levou o "Prêmio Especial do Júri", até então o único filme nacional a fazer sucesso fora do Brasil tinha sido "O Cangaceiro" 9 anos antes!
Em 1964 "Vereda da Salvação", também de Anselmo, empata em Berlim com "Alphaville" de Godard.

Mas prêmios (assim como listas dos 10 mais) não são de forma alguma absolutos, mas são de alguma forma importantes!

É notória a falta de reconhecimento que este artísta teve em vida. É sabido de todos que na época do prêmio em Cannes Anselmo não ganhou o reconhecimento pelos cineastas brasileirospois não fazia parte do "Cinema Novo".

Nas palavras de Anselmo "O mal do Brasil é a falta de auto-estima cultural. Somos um país pessimista e não enaltecemos nossos próprios artistas. Os meninos do cinema novo diziam que prêmio não vale nada. Não vale nada para quem não ganha."
(Dá-lhe neles!)

E neste domingo o programa "Conexão Roberto D'Avilla" reprisará uma entrevista com Anselmo Duarte concedida em 2000. Será às 20h na Rede Brasil.

Pra quem ainda não viu, aqui estão os links para download via torrent de "O Pagador de Promessas". Assisti recentemente e me surpreendi com o fato de o padre do filme fazer o papel de vilão intolerável e a mocinha chifrar o personagem principal com um gigolô "feio que dói".

Copie e cole estes links no seu programa p2p

Parte 1:
ed2k://|file|Filme - O Pagador de Promessas - CD1.avi|733204480|F6F5369C8CA112B993D861E9F7858A63|/

Parte 2:
ed2k://|file|Filme - O Pagador de Promessas - CD2.avi|735180800|868A97639A7186E01EFB93AFF36EA807|/

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Enterro de Di Cavalcanti




Dia desses, passando pela comunidade "Filme Brasileiros (Download)", me deparei com um arquivo que há muito já tinha ouvido falar, mas pensava que se tratava de um filme totalmente censurado e impossível de se conseguir.

Trata-se do curta "Ninguém Assistiu ao Formidável Enterro de sua Quimera, Somente a Ingratidão, Essa Pantera, Foi Sua Companheira Inseparável." mais conhecido como "Enterro de Di Cavalcanti" ou "Di Cavalcanti Di Glauber" de Glauber Rocha.

É notório de muitos o fato de Glauber Rocha ter filmado o enterro desse que foi um dos maiores artítica da cultura brasileira, gerando polêmica na mídia e escândalo para a família do falecido. Também é notório de muitos o fato desse filme estar interditado pela justiça desde 1979 por pedido da filha adotiva de Di.

Glauber se justifica dizendo que "A morte é um tema festivo pros mexicanos, e qualquer protestante essencialista como eu não a considera tragedya... Filmar meu amigo Di morto é um ato de humor modernista-surrealista que se permite entre artistas renascentes.
No caso o filme é uma celebração que liberta o morto de sua hipócrita-trágica condição. A Festa, o Quarup - a ressurreição que transcende a burocracia do cemitério. Por que enterrar as pessoas com lágrimas e flores comerciais?"



quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Porquê este machismo fetichista?




Em "O Ritual dos Sádicos/O Despertar da Besta" depois de quase 1 hora de cinema moderno em preto e branco inicia-se uma sequência alucinógena hiper colorida e beirando o surreal, onde 4 usuários habituais de drogas passam por um experimento de um médico que injeta Lsd neles. Na sala onde os personagens se encontram há a frente deles este poster:


A partir de então, começam a viajar no ácido, cada um na sua mente com suas taras e medos, e o Zé está na cabeça de todos. O que mais me chocou foi que durante a sucessão das cenas há uma enxurrada de frases preconceituosas que diminuem a mulher perante o homem, na verdade esse fato acontece durante todo o filme, mas aqui é mais intenso, veja:

"Dos primórdios até o fim do século o homem é absoluto, é o senhor da vida, e a mulher, seu intrumento. Não há reprovação para os seus atos. É a escrava submissa perante o poderio dos homens. E assim será, através dos milênios. E assim será, até o final do tudo!"

(...)

Um personagem diz: "Ele está certo, é a força do homem e a submissão da mulher."

"É o homem que a humanidade procura, desde os primórdios. É a recompensa do sofrer, da incompreensão terrena."

Zé do Caixão diz: "A mulher é e será através da barreira do tempo, das dimensões do universo, o ser inatingível da glória repugnante, que exala da bestialidade dos homens!"

Uma personagem fala: "Ele é o príncipe das trevas!"









Mas talvez essa forma hiperbólica de pisar sobre a mulher nada mais seja do que um tapa na cara, para fazê-las acordarem e lutarem contra o sistema machista opressor e abusador tão forte nos anos 60 e até hoje.




segunda-feira, 9 de novembro de 2009

VIDEODROME

Nos anos 80, em meio às discussões de Cinema Vs. Vídeo, David Cronenberg fez um filme hostilizando o Vídeo. Na época alguns cineastas tinham medo do Vídeo, alegando que ele "roubava a alma" do Cinema.
Hoje em dia o Cinema Digital nada mais é do que a tecnologia do Vídeo super evoluída, democratizando os meios de produção audiovisual.
Mas no filme o problema não gira em torna das implicações da nova tecnologia, e sim o que se está fazendo com ela: conteúdo de péssima qualidade. "Videodrome" na verdade é uma analogia generalizada para televisão, da mesma forma que "Matrix".





Esse é o tipo de trailer queu não consegui ver até o fim porquê me deu uma vontade desesperada de apertar o "play" para começar a ver logo o filme.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Discurso de um oprimido/perseguido






"Eu não fiz nada, porra... Eu não fiz nada... Por que eu?... Porque eu sou veado? Por quê? Porque eu me visto de mulher e acredito nisso? Eu sou a fantasia barata de todos vocês... E vocês, o que é que olham com essas caras de imbecis?... Seu bando de bundas-moles... passivos. Mesmo com toda a promiscuidade, vocês nunca deixaram de ser bem comportados. Eu conheço o sonho de todos vocês, seus veados, frouxos... Suas esperanças são pobres... Miseráveis... Hipócritas... Vocês gostariam mesmo é de ser mulherzinhas e maridinhos... Se pudessem, vocês teriam um bando de filhinhos, uma fileira de adoráveis monstrinhos para reproduzir essa merda toda"

(...)





"Banheiros imundos... bancos traseiros de carros... sombras... O sexo escroto... pelo meio... O tesão sempre no lugar errado... E aí, ninguém vai reagir, não? Burros... burros passivos, escrotos... O que é que vocês fizeram com a sexualidade? que merda vocês fizeram da... Que merda..."





Texto retirado do filme "Anjos da Noite" (1987). Obra pós-moderna escrita e dirigida por Wilson Barros.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Você quer ler? Quer ler o quê? E como?

A falta do hábito de leitura há algum tempo é algo a qual não mais se pode dar a desculpa de que “livros custam caro”, sendo uma atividade exclusiva de uma elite econômica ou intelectual.

Há hoje uma gama de meios para se chegar às obras literárias, à baixo custo ou custo zero! Além da proliferação de lojas de livros usados pelas cidades de todo o Brasil, há na internet algumas formas de se encontrar aquela obra tão necessária.

Scribd: site internacional de hospedagem e compartilhamento gratuito de arquivos em .doc e .pdf. Na maioria das vezes são livros escaneados integralmente e carregados para o site de forma ilegal.

Foi através deste site que comecei a ler “Coração das Trevas” (que inspirou “Apocalipse Now”), livro esse que me deu uma vontade imensa de fugir para a Índia no começo deste ano! Logo depois encontrei um exemplar novinho num sebo e comprei. E depois de ter gasto R$50,00 no livro "História do Cinema Mundial" de Fernando Mascarelo é que fui fazer uma busca nesse site e encontrei ele em versão integral. Os últimos 5 capítulos são muito bons.

Projeto Democratização da Cultura: Uma mega comunidade que contém praticamente toda a bibliografia nacional, e muitas obras famosas estrangeiras também, além de quadrinhos, revistas, RPG e audiolivros. Há muitas formas de busca para se encontrar o que quiser e também área para fóruns de discussão e troca de arquivos. Nem todos os arquivos são ilegais, mas a maioria é. Para ter acesso basta um simples cadastro.

Foi desta forma que li o conto “A 3ª margem do rio” de Guimarães Rosa, profundamente assustador!

Estante Virtual: depois de ter conhecido este site, que é um aglutinador de sebos de todo o Brasil, é cada vez mais raro eu comprar um livro novo. Mesmo tendo que pagar o frete vale muito a pena comprar neste endereço. Os mecanismos de busca são simples, pode-se procurar por título, autor, sebo, cidade ou editora.

Desta forma comprei “Larousse da Cozinha Italiana” por R$55,00 + Frete. O livro estava em excelente estado, praticamente novo. Se tivesse comprado um exemplar novo numa livraria habitual custaria no mínimo R$100,00.

Internet Archives: este recurso eu nunca aproveite plenamente, trata-se de um assustador banco de dados da cultura do mundo. É possível achar muita coisa em todas as formas: textos, livros, filmes (curtas, longas inteiros, animação) áudio, programas, além de um recurso chamado WayBack Machine que possui registrado mais de 150 bilhões de página da internet desde 1996. Aparentemente todos os arquivos são legalizados.

Viajando neste mega portal encontrei o filme "Freud - além da alma" (com roteiro escrito por Sartre, porém não creditado) legendado em português para baixar, percebi que o arquivo é ripado da TV, o que significa que as obras não são todas legalizadas, mas há um aviso de que o arquivo está em domínio público. Sei lá!

Mercado Livre - Livros: tem a mesma estrutura de compra e venda do Mercado Livre.com (bastante óbvio). Nunca comprei nenhum livro através deste endereço, mas achei um que me parece ótimo "O Cinema tem Alma?". E agora que dei uma olhada no site estou pensando em vender minhas quinquilharias aqui, os sebos da cidade estão oferecendo muito pouco pelos meus bens renegados!

Recentemente o Google anunciou que irá lançar um serviço chamado Google Books, com 500 mil títulos em formato e-book para comercialização. O que existe hoje é uma forma beta deste recurso, onde você pode ter acesso livre a algumas páginas das obras e se quiser ler o livro integralmente o Google te mostra onde encontrá-lo. Mas o acervo ainda está quase todo em inglês, mas já existe muita coisa em português.

Confesso que ainda não li nenhum livro inteiro na frente do PC, só contos, pois acho isso bastante difícil, cansativo, talvez falta de hábito. Uma solução fácil é imprimir os e-books em folhas de papel reciclado ou utilizar o lado branco de apostilas que você não utiliza mais.

Também não acredito que por causa desses recursos digitais as livrarias habituais (de shopping, das esquinas, ou virtuais) chegaram ao fim. Pois dependendo do caso só é possível encontrar o livro querido neste tipo de estabelecimento. Por exemplo, recentemente quis comprar o “Cinema Pós Moderno Brasileiro – O Neon Realismo” de Renato Luiz Pucci Jr e só consegui encontrá-lo em exemplar novo numa livraria dessas.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Saiba AGORA como fiz para chegar em 2010 - em 10 passos!

O tempo é sentido de forma relativa. Entenda, assistir “Terra em Transe”, por exemplo, é infinitivamente mais demorado do que “Esqueceram de mim".

E digo mais, não é obra de nenhum filósofo saber que é uma grande idiotice supersticiosa pensar que quando o ano termina à meia noite do dia 31 de dezembro termina aí um ciclo e que tudo de novo e de bom pode acontecer a partir do dia 1º de janeiro! Mas talvez esses ciclos de tempo realmente existam, porém fora de uma limitação padrão conhecida e comum a todos.

Desde o dia 13 de outubro não vivo mais em 2009, e sim em 2010. Tomei clara consciência disso depois de ter passado por uma importante seqüência de causas e conseqüências:

1°) Não ter conseguido o visto de estudante para terminar minha faculdade na França me forçou a continuar vivendo na terra dos índios de pau-brasil;

2º) Forçado a continuar neste país decido então fazer um outro curso superior, mais próximo dos meus verdadeiros interesses pessoais, assim me inscrevo no vestibular;

3º) Para fazer a prova de vestibular me preparo por quase 2 meses. A prova aconteceu neste domingo passado;

4º) Ao ver o gabarito da prova sou tomado por uma ansiedade/angústia sem precedentes, pois descubro que o meu desempenho foi de baixíssimo rendimento nas questões de Conhecimento Artístico Cultural, o que também me deixou bastante constrangido. Estes sentimentos de angústia e ansiedade poderiam se estender, e consumir o meu peito e atormentar o meu cérebro até o dia 30 de setembro (dia que sai o resultado do vestibular) não fossem certas providências que tomei;

5º) Decido ir e vir a pé de casa para o trabalho todos os dias, para deixar os pensamentos e sentimentos nebulosos e doloridos nas ruas da cidade, bem longe da minha cama e do meu café da manhã;

6º) Outra providência para diminuir a ansiedade: decido fazer uma faxina geral no meu quarto, aquela de arrastar todos os móveis do lugar e tirar todo o pó escondido atrás de tudo;

7º) Na hora de colocar todas as coisas nos seus lugares percebo que tenho muito mais coisas do que preciso;

8º) Decido separar e vender todas as coisas inúteis (livros, revistas, DVDs, roupas e CDs). Veja, apenas 3 dvds e 4 livros me renderam 50 Reais num sebo do centro. E isso é só o começo;

9º) Logo após o término da faxina algo de mais incrível e completamente inesperada aconteceu: supero o trauma pela morte do Michael Jackson! Assim, como do nada, me sinto livre deste sentimento ruim de frustração;

10º) 2009 ficaria marcado para sempre na minha vida como o ano em que EU veria Michael Jackson ao vivo num show em Londres que aconteceria no dia 27 de setembro passado. Sou um grande admirador do trabalho deste artista ímpar da nossa cultura. Após sua morte estava difícil para eu aceitar que não seria mais possível realizar esse sonho, pois quando pensava no Michael ainda me vinha à cabeça a promessa de vê-lo neste show. Eu já tinha aceitado a sua morte, mas ainda não tinha deixado-o ir. É como se dentro de mim ele ainda estivesse vivo! E eis que então, de repente ele se vai para nunca mais voltar. E se não tem mais Michael então não tem mais 2009. Simples assim.

Quase tudo o que queria ter feito em 2009 fiz. Quase tudo deu errado, é certo, mas não importa mais, pois agora já estou em 2010.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Narrativa da Vida/Literatura/Cinema



"O mundo está destroçado e não há como remontar seus estilhaços. Os personagens padecem de total desorientação, sendo incapazes de organizar-se a si próprios e, muito menos, ordenar o universo à sua volta. Desesperados, buscam uma verdade, sem saber se há possibilidades de encontrá-la. Ou nem mesmo a buscam, limitando-se a sofrer ou a protagonizar a desordem, a violência física e moral e a desintegração das formas de convivência social. (...) À desintegração ética corresponde a desintegração técnica, com a estrutura narrativa revelando-se desordenada, fragmentada e geralmente sem um foco narrativo, ou ponto de vista único ou claramente definitivo " (José H. Dacanal)

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Drummond, sua poesia da vida e o cinema para mim.


"Para Drummond, a realidade tem várias faces. Faces descontínuas, irregulares, opositivas. Tentar captar a essência humana é registrar ambivalências, ângulos contraditórios. Em sua poesia não há palavras definitivas ou visões finais. O fluxo desordenado da vida não permite certezas." (Sergius Gonzaga)


foto: "Grand Prix de Circuit de la Seine" do fotógrafo francês Jacques-Henri Lartigue - anamorfes cronotópicas - diferentes pontos de vista na mesma imagem geram distorção na percepção do espaço através do tempo.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Impressão de Realidade

"(...) O espectador, na verdade, não "assiste" ao filme: ele o vive com uma vivência próxima do sonho e numa tal intensidade que não raro ele próprio se surpreende gritando, "torcendo" ou transpirando de tensão. A essa vivência particular de um espectador "em situação regressiva, infantilizado, como se estivesse sob o efeito de uma neurose artificial" (Motin 1980, p. 90) se convencionou chamar de impressão de realidade. O termo, cunhado pelos teóricos do Instituto de Filmologia de Paris que, a partir de 1947, dedicaram-se ao estudo da subjetividade do espectador na sala de projeção, refere-se a confusão entre percepção e representação que, segundo Freud, caracteriza justamente o trabalho do sonho, uma vez suspensa a prova de realidade. (Arlindo Machado - Pré-cinemas & pós-cinemas)



quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Joinville Ano Zero

No Final de Semana passado Joinville teve a sua primeira Mostra de Vídeo, já houveram outras mostras do tipo mas essa parece que pode gerar alguma seguencia anual.
Infelismente só pude comparecer à mostra no domingo e não vi nada de mais nos curtas nem no documentário, ms tirei uma conclusão interessante: Joinville está muito atrasada em termos de trabalhos em audiovisual!

Parece óbvio, eu sei, mas foi nessa mostra q eu tomei consciência de quão grave é nossa problemática. O melhor filme da mostra (sob o céu de joinville, q eu já tinha visto ano passado) representa esse nosso atraso. Pois trata-se de uma "vista", ou seja, uma forma de filme dos primeiros anos do cinema, quando ainda não existia forma narrativa. Isso aliado a técnica de Dziga Vertov e seu kino-olho e depois Godfrey Reggio com a trilogia Qatsi.

Precisávamos de "sob o céu de Joinville" para começar a contar nossa história através da tela grande, pois se não tivesse sido feito pelo Rodrigo Brum seria feito por qualquer outra pessoa, mais cedo ou mais tarde, digo isso com certeza!

Será q o Rodrigo tem consciência da sua importância? O trabalho dele representa um marco na nossa história, daqui a 30, 40 ou 100 anos quando estiverem escrevendo nossa filmografia em livros o Rodrigo está estampado logo no 1° capítulo, eternamente, assim como os irmãos Lumière e Méliès dividem os primeiros capítulos dos livros de história do cinema justamente por terem feitos os primeiros cinemas.

Joinville está se vendo na tela pela primeira vez em mais de 100 anos deste a invenção do cinematógrafo. E só agora é que podemos começar a nossa história audiovisual, acho não adianta querer ir mto longe ainda, não tem como, acho que vamos passar por todos os estágios iniciais do cinema, ou será q conseguiremos pular logo para uma vanguarda?

Seguindo a história do cinema nosso próximo passo será atingir as camadas mais pobres e alienadas da população para depois ignorá-las. E depois trasformá-la em tema e bandeira do real e do nosso cinema!

hahaahah

Dizem que a história é cíclica e não vejo prova melhor q essa.

Joinville está vivendo os primeiros anos do cinema.