quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Drummond, sua poesia da vida e o cinema para mim.


"Para Drummond, a realidade tem várias faces. Faces descontínuas, irregulares, opositivas. Tentar captar a essência humana é registrar ambivalências, ângulos contraditórios. Em sua poesia não há palavras definitivas ou visões finais. O fluxo desordenado da vida não permite certezas." (Sergius Gonzaga)


foto: "Grand Prix de Circuit de la Seine" do fotógrafo francês Jacques-Henri Lartigue - anamorfes cronotópicas - diferentes pontos de vista na mesma imagem geram distorção na percepção do espaço através do tempo.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Impressão de Realidade

"(...) O espectador, na verdade, não "assiste" ao filme: ele o vive com uma vivência próxima do sonho e numa tal intensidade que não raro ele próprio se surpreende gritando, "torcendo" ou transpirando de tensão. A essa vivência particular de um espectador "em situação regressiva, infantilizado, como se estivesse sob o efeito de uma neurose artificial" (Motin 1980, p. 90) se convencionou chamar de impressão de realidade. O termo, cunhado pelos teóricos do Instituto de Filmologia de Paris que, a partir de 1947, dedicaram-se ao estudo da subjetividade do espectador na sala de projeção, refere-se a confusão entre percepção e representação que, segundo Freud, caracteriza justamente o trabalho do sonho, uma vez suspensa a prova de realidade. (Arlindo Machado - Pré-cinemas & pós-cinemas)



quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Joinville Ano Zero

No Final de Semana passado Joinville teve a sua primeira Mostra de Vídeo, já houveram outras mostras do tipo mas essa parece que pode gerar alguma seguencia anual.
Infelismente só pude comparecer à mostra no domingo e não vi nada de mais nos curtas nem no documentário, ms tirei uma conclusão interessante: Joinville está muito atrasada em termos de trabalhos em audiovisual!

Parece óbvio, eu sei, mas foi nessa mostra q eu tomei consciência de quão grave é nossa problemática. O melhor filme da mostra (sob o céu de joinville, q eu já tinha visto ano passado) representa esse nosso atraso. Pois trata-se de uma "vista", ou seja, uma forma de filme dos primeiros anos do cinema, quando ainda não existia forma narrativa. Isso aliado a técnica de Dziga Vertov e seu kino-olho e depois Godfrey Reggio com a trilogia Qatsi.

Precisávamos de "sob o céu de Joinville" para começar a contar nossa história através da tela grande, pois se não tivesse sido feito pelo Rodrigo Brum seria feito por qualquer outra pessoa, mais cedo ou mais tarde, digo isso com certeza!

Será q o Rodrigo tem consciência da sua importância? O trabalho dele representa um marco na nossa história, daqui a 30, 40 ou 100 anos quando estiverem escrevendo nossa filmografia em livros o Rodrigo está estampado logo no 1° capítulo, eternamente, assim como os irmãos Lumière e Méliès dividem os primeiros capítulos dos livros de história do cinema justamente por terem feitos os primeiros cinemas.

Joinville está se vendo na tela pela primeira vez em mais de 100 anos deste a invenção do cinematógrafo. E só agora é que podemos começar a nossa história audiovisual, acho não adianta querer ir mto longe ainda, não tem como, acho que vamos passar por todos os estágios iniciais do cinema, ou será q conseguiremos pular logo para uma vanguarda?

Seguindo a história do cinema nosso próximo passo será atingir as camadas mais pobres e alienadas da população para depois ignorá-las. E depois trasformá-la em tema e bandeira do real e do nosso cinema!

hahaahah

Dizem que a história é cíclica e não vejo prova melhor q essa.

Joinville está vivendo os primeiros anos do cinema.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

"Sem essa, Aranha"




E se não existissem regras fixas para o cinema, será que o público conseguiria absorver idéias que estivessem fora de um padrão lingüístico e narrativo estabelecido há mais de 80 anos?

Assim começa o livro “Por um cinema sem limites”:

“O Cinema – “arte das evidências enganosas” - nasceu com a criação do homem, quando este cedeu uma costela à mulher, evoluiu com o mito platônico da caverna, ao ampliar a imagem e semelhança divina na consciência ancestral que desembocou no teatro de sombras chinesas onde alcançou o seu esplendor criativo, influenciando-nos irremediavelmente. Espalhou-se da Ásia para Europa graças ao empenho de mágicos e ambulantes andarilhos percorrendo feiras, circos e quermesses. Não era ainda o cinema, com carga de mesmice e redundância mal feita hoje, mas algo mágico que prefigurava e o antecedia com maior força do que a mídia atual, sob o princípio da decomposição e composição do movimento a partir de imagens-fotograma fixos

Só foi conhecer sua forma atual, a perfuração e o formato 35 milímetros, com Emile Reynaud, o genial mágico e empresários do Teatro Robert Houdini (que passaria às mãos do não menos genial, o incomparável e soberano George Mélies). Em pleno século das luzes, a invenção, provinda da fotografia conjugada a projeção de lanternas chinesas, envolveu fotógrafos, químicos, físicos, artistas-inventores, artesões mecânicos e industriais que transformaram na máquina de produção-reprodução de imagens animadas, inicialmente através do desenho, e patenteadas graças a esperteza do feiticeiro de Menlo Park – Thomas Alva Edison – e o fundador da Kodak, Georges Eastman, criador do suporte em acetato”

O cinema já existia antes mesmo da película, diz Sganzerla, e ele tem razão, CINEMA é projeção de idéias. Acho muito triste e limitado a visão que de modo geral a população tem de cinema, Hollywood. Deve-se, por algum tempo, ignorar a existência desta fábrica de dvds e suas filiais, e ver o que se faz e o que se fez no resto do mundo. Outras formas, outras cores, outras idéias, outras pessoas, outras vidas.

No cinema de Hollywood e em suas filiais espalhadas pelo mundo seus filmes precisam fazer sentido do começo ao fim, a história está hermética e corretamente fechada para que não aja dúvidas (pensamentos) por conta dos espectadores, e os espectadores gostam disso, se sentem seguros pois não precisam pensar muito para absorver o que está passando em frente aos seus olhos.

Quando tudo o que lemos (inclua a Bíblia), ouvimos e vemos (no cinema, na TV, nas revistas, no teatro) faz sentido e possui uma lógica interna tão bem marcada e correta que permeia toda a duração isso é prova mais do que concreta de que entramos numa crise existencial irremediável, pois não existe sentido na vida, então porque haveria sentido nas expressões da vida (a arte)? Se vivemos algo sem sentido e acreditamos cegamente em algo com sentido quando absorvemos esta expressão como reflexo verdadeiro da vida, pensamos: “Por que minha vida não faz sentido se no cinema a vida faz sentido?” “O que há de errado comigo?”

Eu respondo: Não há nada de errado com você, mas com certeza há algo de errado com o que você está absorvendo.

Os filmes de criação, de invenção, modernos, contemporâneos, ou mesmo pode-se dizer marginais (marginal da ignorância e da caretice virulenta que contagia a sociedade) possuem uma visão expandida desta arte que nasceu moderna e se perdeu graças ao seu imenso potencial de geração de renda, seu Karma.

“Sem essa, Aranha” fala sobre a miséria e a decadência moral e intelectual, sobre religião, sobre vida animalesca, sobre a cultura musical do povo, sobre limitação, sobre amor, sobre Brasil, a vida (documentário) se misturando com a ficção (mise-em-scène). Não existe estrutura dramática (começo, meio, fim, uma cena dependendo da outra) as cenas existem por razão própria dentre de si, e não por causa de uma continuidade lógica e entendível. É cinema fora de padrões tradicionais, Sganzerla nega todos os padrões estabelecidos não porquê ele é um garoto mal, mas simplesmente porquê ele tem visão consciente da vida.

Cinema existe para algo maior que apenas contar uma história “legal” dentro de um mundo fechado em si que exclui automaticamente o nosso (o mundo real) e que exclui a câmera e toda a vida ao seu redor, como se não dependesse dela. Cinema é o reflexo mais próximo da nossa vida. Esse cinema de contação de história é reflexo de mentes aprisionadas em convenções de um passado distante.

Você não acredita nas mesmas coisas que as pessoas da década de 10 acreditavam, nem tem os mesmo costumes, nem se veste da mesma maneira, você não escuta as mesmas músicas nem se diverte ou se relaciona com outras pessoas da mesma forma que as pessoas da década de 10. Tudo isso evoluiu, modificou-se, e o Cinema também! Porquê então você ainda só vê filmes produzidos no mesmo formato convencionado na década de 10?

As pessoas que assistem a um filme como “Sem essa, Aranha” ou qualquer outro filme diferente do padrão tradicional, e dizem simplesmente “que o filme não tem nada a ver” são genuinamente ignorantes.





segunda-feira, 16 de março de 2009

Slumdog Millionaire


Slumdog Millionaire é um Cidade de Deus menos violento e mais romancesco. Não há como negar a influência estética e temática do filme de Fernando Meirelles sobre o trabalho de Danny Boyle.
Se Cidade de Deus fosse dirigido por um americano ou um inglês será que teria ganho Oscares?

R: Sim.

sexta-feira, 13 de março de 2009

SEXO MATA! CHIRLEI - A MATADORA

esse post não tem nada há ver com Cinema, pois o fato aconteceu na vida real, mas ele é tão incrível com requintes ficcionais que poderia sim ser texto de um filme ou um romance.

É uma notícia que saiu nesta 6ª feira no jornal A Notícia:



A morte de empresário intriga polícia


A Polícia Civil de São Bento do Sul ainda não tem hipótese que possa esclarecer a morte do empresário Ivo Pachewsky, 51 anos, encontrado no apartamento, na quarta-feira. O que intriga a polícia é um bilhete que dizia: “Sexo é bom, mas também mata. Assinado Chirlei, a matadora”.


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

JOGO DE CENA


Forma versus Conteúdo é um tema que gera acaloradas discussões sobre teorias em faculdades de artes mundo afora.

“Jogo de cena” prova na prática que conteúdo é mais importante que forma.

O que importa são as histórias que ali são registradas, a história é o mais importante. O mais interessante é que ele prova isso através da forma.

 Não importa se é uma atriz famosa que interpreta a história, ou uma atriz desconhecida, ou a própria pessoa que viveu aquele drama, o que importa de verdade é não deixar essas histórias desaparecerem, através desse artifício Eduardo Coutinho está dizendo que o suporte (a pessoa, a forma) não está acima do conteúdo pois é apenas um meio. No cinema moderno a forma sempre tomou o papel de destaque. Em “Jogo de Cena” o destaque é o conteúdo. O cinema de Eduardo Coutinho é contemporâneo.

Pois além disso “Jogo de cena” é uma obra que transcende gênero, formato e suporte.  Poderia ser uma peça de teatro, poderia ter sido feito para a televisão, poderia ser distribuído para celulares, youtube, feito em película, digital, curta-metragem, ficção, documentário, não importa, ele não se prende a nenhum formato já conhecido impossibilitando sua rotulação. Talvez documentário-farsa ou documentário/farsa?

E que histórias são essas? Na maioria das vezes são dramas de mãe e filho, a gênese da sociedade. Grandes perdas e desilusões, barreiras psicológicas, coisas do além, diferentes formas de percepção e até “Procurando Nemo” entra no meio. Histórias que impressionam pela sua carga pesada de emoções ou ineditismo, tragédias gregas no dia-a-dia da cidade.

Deixando o campo das histórias reais e partindo para a profissão do ator (o filme também é sobre isso, uma homenagem a essa profissão), um dos melhores momentos de todas as entrevistas é ver Fernanda Torres não conseguindo dizer seu texto, não conseguindo entrar na personagem, se embaçando com a memória, rindo nervoso e completamente perdido para câmera, pois a pessoa que ela estava interpretando é de uma pluralidade que beira o surreal, difícil para colocá-la dentro de uma linearidade, o que deixaria o trabalho do ator mais fluido.

Essa é a cereja do bolo do filme, o erro, ahh... a delícia do errar humano!

O ser humano parece mais verdadeiro e mais encantador e mais ele próprio quando erra. Quando esse errar não nos atinge de forma negativa, claro!

Baixe "Jogo de Cena" clicando aqui ou

Compre o DVD clicando aqui. o dvd vem com faixa de audio com comentários do diretor, deve ser o máximo!