terça-feira, 27 de outubro de 2009

Você quer ler? Quer ler o quê? E como?

A falta do hábito de leitura há algum tempo é algo a qual não mais se pode dar a desculpa de que “livros custam caro”, sendo uma atividade exclusiva de uma elite econômica ou intelectual.

Há hoje uma gama de meios para se chegar às obras literárias, à baixo custo ou custo zero! Além da proliferação de lojas de livros usados pelas cidades de todo o Brasil, há na internet algumas formas de se encontrar aquela obra tão necessária.

Scribd: site internacional de hospedagem e compartilhamento gratuito de arquivos em .doc e .pdf. Na maioria das vezes são livros escaneados integralmente e carregados para o site de forma ilegal.

Foi através deste site que comecei a ler “Coração das Trevas” (que inspirou “Apocalipse Now”), livro esse que me deu uma vontade imensa de fugir para a Índia no começo deste ano! Logo depois encontrei um exemplar novinho num sebo e comprei. E depois de ter gasto R$50,00 no livro "História do Cinema Mundial" de Fernando Mascarelo é que fui fazer uma busca nesse site e encontrei ele em versão integral. Os últimos 5 capítulos são muito bons.

Projeto Democratização da Cultura: Uma mega comunidade que contém praticamente toda a bibliografia nacional, e muitas obras famosas estrangeiras também, além de quadrinhos, revistas, RPG e audiolivros. Há muitas formas de busca para se encontrar o que quiser e também área para fóruns de discussão e troca de arquivos. Nem todos os arquivos são ilegais, mas a maioria é. Para ter acesso basta um simples cadastro.

Foi desta forma que li o conto “A 3ª margem do rio” de Guimarães Rosa, profundamente assustador!

Estante Virtual: depois de ter conhecido este site, que é um aglutinador de sebos de todo o Brasil, é cada vez mais raro eu comprar um livro novo. Mesmo tendo que pagar o frete vale muito a pena comprar neste endereço. Os mecanismos de busca são simples, pode-se procurar por título, autor, sebo, cidade ou editora.

Desta forma comprei “Larousse da Cozinha Italiana” por R$55,00 + Frete. O livro estava em excelente estado, praticamente novo. Se tivesse comprado um exemplar novo numa livraria habitual custaria no mínimo R$100,00.

Internet Archives: este recurso eu nunca aproveite plenamente, trata-se de um assustador banco de dados da cultura do mundo. É possível achar muita coisa em todas as formas: textos, livros, filmes (curtas, longas inteiros, animação) áudio, programas, além de um recurso chamado WayBack Machine que possui registrado mais de 150 bilhões de página da internet desde 1996. Aparentemente todos os arquivos são legalizados.

Viajando neste mega portal encontrei o filme "Freud - além da alma" (com roteiro escrito por Sartre, porém não creditado) legendado em português para baixar, percebi que o arquivo é ripado da TV, o que significa que as obras não são todas legalizadas, mas há um aviso de que o arquivo está em domínio público. Sei lá!

Mercado Livre - Livros: tem a mesma estrutura de compra e venda do Mercado Livre.com (bastante óbvio). Nunca comprei nenhum livro através deste endereço, mas achei um que me parece ótimo "O Cinema tem Alma?". E agora que dei uma olhada no site estou pensando em vender minhas quinquilharias aqui, os sebos da cidade estão oferecendo muito pouco pelos meus bens renegados!

Recentemente o Google anunciou que irá lançar um serviço chamado Google Books, com 500 mil títulos em formato e-book para comercialização. O que existe hoje é uma forma beta deste recurso, onde você pode ter acesso livre a algumas páginas das obras e se quiser ler o livro integralmente o Google te mostra onde encontrá-lo. Mas o acervo ainda está quase todo em inglês, mas já existe muita coisa em português.

Confesso que ainda não li nenhum livro inteiro na frente do PC, só contos, pois acho isso bastante difícil, cansativo, talvez falta de hábito. Uma solução fácil é imprimir os e-books em folhas de papel reciclado ou utilizar o lado branco de apostilas que você não utiliza mais.

Também não acredito que por causa desses recursos digitais as livrarias habituais (de shopping, das esquinas, ou virtuais) chegaram ao fim. Pois dependendo do caso só é possível encontrar o livro querido neste tipo de estabelecimento. Por exemplo, recentemente quis comprar o “Cinema Pós Moderno Brasileiro – O Neon Realismo” de Renato Luiz Pucci Jr e só consegui encontrá-lo em exemplar novo numa livraria dessas.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Saiba AGORA como fiz para chegar em 2010 - em 10 passos!

O tempo é sentido de forma relativa. Entenda, assistir “Terra em Transe”, por exemplo, é infinitivamente mais demorado do que “Esqueceram de mim".

E digo mais, não é obra de nenhum filósofo saber que é uma grande idiotice supersticiosa pensar que quando o ano termina à meia noite do dia 31 de dezembro termina aí um ciclo e que tudo de novo e de bom pode acontecer a partir do dia 1º de janeiro! Mas talvez esses ciclos de tempo realmente existam, porém fora de uma limitação padrão conhecida e comum a todos.

Desde o dia 13 de outubro não vivo mais em 2009, e sim em 2010. Tomei clara consciência disso depois de ter passado por uma importante seqüência de causas e conseqüências:

1°) Não ter conseguido o visto de estudante para terminar minha faculdade na França me forçou a continuar vivendo na terra dos índios de pau-brasil;

2º) Forçado a continuar neste país decido então fazer um outro curso superior, mais próximo dos meus verdadeiros interesses pessoais, assim me inscrevo no vestibular;

3º) Para fazer a prova de vestibular me preparo por quase 2 meses. A prova aconteceu neste domingo passado;

4º) Ao ver o gabarito da prova sou tomado por uma ansiedade/angústia sem precedentes, pois descubro que o meu desempenho foi de baixíssimo rendimento nas questões de Conhecimento Artístico Cultural, o que também me deixou bastante constrangido. Estes sentimentos de angústia e ansiedade poderiam se estender, e consumir o meu peito e atormentar o meu cérebro até o dia 30 de setembro (dia que sai o resultado do vestibular) não fossem certas providências que tomei;

5º) Decido ir e vir a pé de casa para o trabalho todos os dias, para deixar os pensamentos e sentimentos nebulosos e doloridos nas ruas da cidade, bem longe da minha cama e do meu café da manhã;

6º) Outra providência para diminuir a ansiedade: decido fazer uma faxina geral no meu quarto, aquela de arrastar todos os móveis do lugar e tirar todo o pó escondido atrás de tudo;

7º) Na hora de colocar todas as coisas nos seus lugares percebo que tenho muito mais coisas do que preciso;

8º) Decido separar e vender todas as coisas inúteis (livros, revistas, DVDs, roupas e CDs). Veja, apenas 3 dvds e 4 livros me renderam 50 Reais num sebo do centro. E isso é só o começo;

9º) Logo após o término da faxina algo de mais incrível e completamente inesperada aconteceu: supero o trauma pela morte do Michael Jackson! Assim, como do nada, me sinto livre deste sentimento ruim de frustração;

10º) 2009 ficaria marcado para sempre na minha vida como o ano em que EU veria Michael Jackson ao vivo num show em Londres que aconteceria no dia 27 de setembro passado. Sou um grande admirador do trabalho deste artista ímpar da nossa cultura. Após sua morte estava difícil para eu aceitar que não seria mais possível realizar esse sonho, pois quando pensava no Michael ainda me vinha à cabeça a promessa de vê-lo neste show. Eu já tinha aceitado a sua morte, mas ainda não tinha deixado-o ir. É como se dentro de mim ele ainda estivesse vivo! E eis que então, de repente ele se vai para nunca mais voltar. E se não tem mais Michael então não tem mais 2009. Simples assim.

Quase tudo o que queria ter feito em 2009 fiz. Quase tudo deu errado, é certo, mas não importa mais, pois agora já estou em 2010.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Narrativa da Vida/Literatura/Cinema



"O mundo está destroçado e não há como remontar seus estilhaços. Os personagens padecem de total desorientação, sendo incapazes de organizar-se a si próprios e, muito menos, ordenar o universo à sua volta. Desesperados, buscam uma verdade, sem saber se há possibilidades de encontrá-la. Ou nem mesmo a buscam, limitando-se a sofrer ou a protagonizar a desordem, a violência física e moral e a desintegração das formas de convivência social. (...) À desintegração ética corresponde a desintegração técnica, com a estrutura narrativa revelando-se desordenada, fragmentada e geralmente sem um foco narrativo, ou ponto de vista único ou claramente definitivo " (José H. Dacanal)

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Drummond, sua poesia da vida e o cinema para mim.


"Para Drummond, a realidade tem várias faces. Faces descontínuas, irregulares, opositivas. Tentar captar a essência humana é registrar ambivalências, ângulos contraditórios. Em sua poesia não há palavras definitivas ou visões finais. O fluxo desordenado da vida não permite certezas." (Sergius Gonzaga)


foto: "Grand Prix de Circuit de la Seine" do fotógrafo francês Jacques-Henri Lartigue - anamorfes cronotópicas - diferentes pontos de vista na mesma imagem geram distorção na percepção do espaço através do tempo.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Impressão de Realidade

"(...) O espectador, na verdade, não "assiste" ao filme: ele o vive com uma vivência próxima do sonho e numa tal intensidade que não raro ele próprio se surpreende gritando, "torcendo" ou transpirando de tensão. A essa vivência particular de um espectador "em situação regressiva, infantilizado, como se estivesse sob o efeito de uma neurose artificial" (Motin 1980, p. 90) se convencionou chamar de impressão de realidade. O termo, cunhado pelos teóricos do Instituto de Filmologia de Paris que, a partir de 1947, dedicaram-se ao estudo da subjetividade do espectador na sala de projeção, refere-se a confusão entre percepção e representação que, segundo Freud, caracteriza justamente o trabalho do sonho, uma vez suspensa a prova de realidade. (Arlindo Machado - Pré-cinemas & pós-cinemas)



quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Joinville Ano Zero

No Final de Semana passado Joinville teve a sua primeira Mostra de Vídeo, já houveram outras mostras do tipo mas essa parece que pode gerar alguma seguencia anual.
Infelismente só pude comparecer à mostra no domingo e não vi nada de mais nos curtas nem no documentário, ms tirei uma conclusão interessante: Joinville está muito atrasada em termos de trabalhos em audiovisual!

Parece óbvio, eu sei, mas foi nessa mostra q eu tomei consciência de quão grave é nossa problemática. O melhor filme da mostra (sob o céu de joinville, q eu já tinha visto ano passado) representa esse nosso atraso. Pois trata-se de uma "vista", ou seja, uma forma de filme dos primeiros anos do cinema, quando ainda não existia forma narrativa. Isso aliado a técnica de Dziga Vertov e seu kino-olho e depois Godfrey Reggio com a trilogia Qatsi.

Precisávamos de "sob o céu de Joinville" para começar a contar nossa história através da tela grande, pois se não tivesse sido feito pelo Rodrigo Brum seria feito por qualquer outra pessoa, mais cedo ou mais tarde, digo isso com certeza!

Será q o Rodrigo tem consciência da sua importância? O trabalho dele representa um marco na nossa história, daqui a 30, 40 ou 100 anos quando estiverem escrevendo nossa filmografia em livros o Rodrigo está estampado logo no 1° capítulo, eternamente, assim como os irmãos Lumière e Méliès dividem os primeiros capítulos dos livros de história do cinema justamente por terem feitos os primeiros cinemas.

Joinville está se vendo na tela pela primeira vez em mais de 100 anos deste a invenção do cinematógrafo. E só agora é que podemos começar a nossa história audiovisual, acho não adianta querer ir mto longe ainda, não tem como, acho que vamos passar por todos os estágios iniciais do cinema, ou será q conseguiremos pular logo para uma vanguarda?

Seguindo a história do cinema nosso próximo passo será atingir as camadas mais pobres e alienadas da população para depois ignorá-las. E depois trasformá-la em tema e bandeira do real e do nosso cinema!

hahaahah

Dizem que a história é cíclica e não vejo prova melhor q essa.

Joinville está vivendo os primeiros anos do cinema.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

"Sem essa, Aranha"




E se não existissem regras fixas para o cinema, será que o público conseguiria absorver idéias que estivessem fora de um padrão lingüístico e narrativo estabelecido há mais de 80 anos?

Assim começa o livro “Por um cinema sem limites”:

“O Cinema – “arte das evidências enganosas” - nasceu com a criação do homem, quando este cedeu uma costela à mulher, evoluiu com o mito platônico da caverna, ao ampliar a imagem e semelhança divina na consciência ancestral que desembocou no teatro de sombras chinesas onde alcançou o seu esplendor criativo, influenciando-nos irremediavelmente. Espalhou-se da Ásia para Europa graças ao empenho de mágicos e ambulantes andarilhos percorrendo feiras, circos e quermesses. Não era ainda o cinema, com carga de mesmice e redundância mal feita hoje, mas algo mágico que prefigurava e o antecedia com maior força do que a mídia atual, sob o princípio da decomposição e composição do movimento a partir de imagens-fotograma fixos

Só foi conhecer sua forma atual, a perfuração e o formato 35 milímetros, com Emile Reynaud, o genial mágico e empresários do Teatro Robert Houdini (que passaria às mãos do não menos genial, o incomparável e soberano George Mélies). Em pleno século das luzes, a invenção, provinda da fotografia conjugada a projeção de lanternas chinesas, envolveu fotógrafos, químicos, físicos, artistas-inventores, artesões mecânicos e industriais que transformaram na máquina de produção-reprodução de imagens animadas, inicialmente através do desenho, e patenteadas graças a esperteza do feiticeiro de Menlo Park – Thomas Alva Edison – e o fundador da Kodak, Georges Eastman, criador do suporte em acetato”

O cinema já existia antes mesmo da película, diz Sganzerla, e ele tem razão, CINEMA é projeção de idéias. Acho muito triste e limitado a visão que de modo geral a população tem de cinema, Hollywood. Deve-se, por algum tempo, ignorar a existência desta fábrica de dvds e suas filiais, e ver o que se faz e o que se fez no resto do mundo. Outras formas, outras cores, outras idéias, outras pessoas, outras vidas.

No cinema de Hollywood e em suas filiais espalhadas pelo mundo seus filmes precisam fazer sentido do começo ao fim, a história está hermética e corretamente fechada para que não aja dúvidas (pensamentos) por conta dos espectadores, e os espectadores gostam disso, se sentem seguros pois não precisam pensar muito para absorver o que está passando em frente aos seus olhos.

Quando tudo o que lemos (inclua a Bíblia), ouvimos e vemos (no cinema, na TV, nas revistas, no teatro) faz sentido e possui uma lógica interna tão bem marcada e correta que permeia toda a duração isso é prova mais do que concreta de que entramos numa crise existencial irremediável, pois não existe sentido na vida, então porque haveria sentido nas expressões da vida (a arte)? Se vivemos algo sem sentido e acreditamos cegamente em algo com sentido quando absorvemos esta expressão como reflexo verdadeiro da vida, pensamos: “Por que minha vida não faz sentido se no cinema a vida faz sentido?” “O que há de errado comigo?”

Eu respondo: Não há nada de errado com você, mas com certeza há algo de errado com o que você está absorvendo.

Os filmes de criação, de invenção, modernos, contemporâneos, ou mesmo pode-se dizer marginais (marginal da ignorância e da caretice virulenta que contagia a sociedade) possuem uma visão expandida desta arte que nasceu moderna e se perdeu graças ao seu imenso potencial de geração de renda, seu Karma.

“Sem essa, Aranha” fala sobre a miséria e a decadência moral e intelectual, sobre religião, sobre vida animalesca, sobre a cultura musical do povo, sobre limitação, sobre amor, sobre Brasil, a vida (documentário) se misturando com a ficção (mise-em-scène). Não existe estrutura dramática (começo, meio, fim, uma cena dependendo da outra) as cenas existem por razão própria dentre de si, e não por causa de uma continuidade lógica e entendível. É cinema fora de padrões tradicionais, Sganzerla nega todos os padrões estabelecidos não porquê ele é um garoto mal, mas simplesmente porquê ele tem visão consciente da vida.

Cinema existe para algo maior que apenas contar uma história “legal” dentro de um mundo fechado em si que exclui automaticamente o nosso (o mundo real) e que exclui a câmera e toda a vida ao seu redor, como se não dependesse dela. Cinema é o reflexo mais próximo da nossa vida. Esse cinema de contação de história é reflexo de mentes aprisionadas em convenções de um passado distante.

Você não acredita nas mesmas coisas que as pessoas da década de 10 acreditavam, nem tem os mesmo costumes, nem se veste da mesma maneira, você não escuta as mesmas músicas nem se diverte ou se relaciona com outras pessoas da mesma forma que as pessoas da década de 10. Tudo isso evoluiu, modificou-se, e o Cinema também! Porquê então você ainda só vê filmes produzidos no mesmo formato convencionado na década de 10?

As pessoas que assistem a um filme como “Sem essa, Aranha” ou qualquer outro filme diferente do padrão tradicional, e dizem simplesmente “que o filme não tem nada a ver” são genuinamente ignorantes.