quinta-feira, 10 de junho de 2010

Ocupação Rogério Sganzerla

Mais um motivo para me odiar por não estar morando em São Paulo:




Projeto Itaú Cultural Rogério Sganzerla


Um dos nomes de referência do cinema marginal ganha programação no Itaú Cultural, em São Paulo, de 9 a 19 de junho, com exposição, mostra de filmes e debates. “Rogério está no ar, na tela e no papel”, foi como definiu o curador da mostra, afirmando ainda ser uma iniciativa sem precedentes sobre um artista visionário, que transitou na terceira margem do cinema.

Debates:


No dia 9 de junho, haverá um debate com Helena Ignez, Joel Pizzini, Júlio Bressane e Roberto Turigliatto.

No dia 10 de junho, o debate é com Antonio Urano, Helena Ignez, Hernani Heffner e Maria Gladys.

No dia 18 de junho, o debate com Bill Krohn, Catherine Benamou, Ismail Xavier e Samuel Paiva será sobre a influência de Orson Welles no trabalho de Rogério Sganzerla.

Os debates são transmitidos pela internet no site do Itaú Cultura, e os interessados podem mandar perguntas!


Projeto Itaú Cultural Rogério Sganzerla

quarta 9 de junho a domingo 18 de julho de 2010
terça a sexta das 9h às 20h
sábado, domingo e feriado das 11h às 20h

entrada franca- [ingressos distribuídos com meia hora de antecedência]

Itaú Cultural | Avenida Paulista 149- Paraíso- São Paulo SP [próximo à estação Brigadeiro do metrô]
informações: 11 2168 1777 | atendimento@itaucultural.org.br | twitter.com/itaucultural

E o prêmio foi para...


Os vencedores do 9ª Grande Prêmio do Cinema Brasileironas principais categorias são:

Melhor filme (júri): É proibido fumar
Melhor filme (voto popular): E se fosse você 2
Filme estrangeiro (voto popular): Avatar
Filme estrangeiro (júri): Bastardos Inglórios
Documentário: Simonal - Ninguén sabe o duro que dei
Longa Infantil: Grilo Feliz e os Insetos Gigantes
Direção: Anna Muylaert - É proibido fumar
Roteiro Original: Anna Muylaert - É proibido fumar
Roteiro Adaptado: Bosco Brasil - Tempos de Paz
Atriz: Lilia Cabral - Divã
Ator: Tony Ramos - E se fosse você 2

Para ver todos os premiados clique aqui


Não vejo essa premiação como de muito prestígio, talvez seja um preconceito meu ou talvez porque ela revele nossas carências no âmbito das artes cinematográficas e isso me incomoda, tomara que isso mude com o tempo. Mas pra falar a verdade o meu preconceito são com as premiações em geral, nunca são justas (não há como haver justiça aqui, o que é melhor pra mim não é o melhor pra você)  e sempre há a impressão que existem apenas por questão de mercado, pois os filmes vencedores acabam sendo mais vistos, mais alugados, mais comprados... isso quando não há fraude! Apenas para apontar alguns famosos casos: você acha que Gwyneth Paltrow foi melhor atriz que Fernanda Montenegro em 1998? Ou "Central do Brasil" não merecia aquele Oscar no mesmo ano? Então leia esta matéria falando dos esquemas de lobby em premiações.

Ótima oportunidade para o futuro do audiovisual!


A M1nd, empresa que desenvolve e gerencia a plataforma de TV móvel usada por Oi e TIM, criará seu próprio canal de TV. Aproveitando conteúdo gerado por diversos artistas parceiros, cujos nomes a empresa prefere não revelar por enquanto, o canal será inicialmente exibido através de um aplicativo móvel. O lançamento tem data para acontecer: 12 de outubro deste ano. O passo seguinte será exibir a programação na web e depois tentar incluir o canal no line up de operadoras de TV por assinatura. A longo prazo, o presidente da M1nd, Alberto Magno, sonha em levar o canal para a TV aberta.

O aplicativo para exibir a programação foi desenvolvido inicialmente para iPhone, mas depois estará disponível em outras plataformas. Trata-se de um software criado especificamente para o canal da M1nd, em uma iniciativa independente das operadoras móveis.

O gerenciamento do conteúdo será feito por outra empresa de Magno, a produtora ASTV. De acordo com o executivo, o canal terá programação 24 horas por dia. “Há quase 600 pessoas trabalhando nesse projeto. Todos voluntários e oferecendo conteúdo exclusivo”, afirma Magno, sem revelar maiores detalhes sobre a programação do canal.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Viajo porque preciso, volto porque te amo

      
        “Viajo porque preciso, volto porque te amo” é a obra de cinema mais intimista e ousada hoje em cartaz aqui em Juiz de Fora.

Aviso aos receosos à qualquer forma diferente de cinema que fuja ao clássico hollywoodiano, este filme não apresenta formalmente seu personagem principal, nós não o vemos, posso dizer que somos esse personagem. Todo o filme é composto por câmera subjetiva, vemos e ouvimos o que o personagem vê e ouve, nada além disso. O personagem é um geólogo em viagem de trabalho analisando terrenos áridos do nordeste que acabou de romper uma relação amorosa, durante todo seu trajeto não consegue parar de pensar na amada, sofrer, sonhar.

Na sessão que fui não havia mais de 10 pessoas na sala, durante a projeção 5 pessoas foram embora, li observação idêntica em outro blog, o que me chateou é que “Viajo...” não é um filme chato, daqueles difíceis para o público, com narrativa hermética e distinguível por poucos, pelo contrário, é um filme bastante simples sobre solidão, abandono, sentimentos tão comuns. Mostra o nordeste sem floreios ou distorções, apenas como o pior lugar para se estar quando se está mal consigo.

Difícil ás vezes é saber onde termina o diretor/roteirista e começa o personagem, por causa da forma usada há momentos em que ambos se fundem criando uma sensação especial, como na hora em que uma prostituta é entrevista. Alíás, quantas prostitutas! O nordeste parece estar cheia delas, todas as mulheres são prostitutas, ou tristes, ou prostitutas  tristes, e para equilibrar, o único homem mais ou menos apresentado no filme é apontado como talvez alguém que nunca tenha brochado. Seres humanos como bichos prestes a explodir em uma suruba de 1 homem para 9 mulheres, mas essa é a visão alucinada do personagem carente de sexo e/ou atenção.

Cheio de belos planos e sons de estrada ao entardecer, o novo longa de Karin Aïnouz e Marcelo Gomes é o tipo de filme que já passou pela minha cabeça ter feito, não esta história, claro, mas na utilização de certas imagens. Sempre me senti bem em ver e ouvir o anoitecer e o amanhecer nas estradas, seja dentro de um carro ou de ônibus, esses momentos são para mim instantes gelados, muito reais e ao mesmo tempo misteriosos, hora mágica e rara perdida e de certa forma estagnada e eterna.



segunda-feira, 7 de junho de 2010

Film & television business: O negócio do cinema

O cinema não é apenas uma arte, é também um negócio arriscado e lucrativo de grande importância.  mercado.

Trata-se de um curso pioneiro destinado à formação Executiva em Cinema e TV sendo especialmente estruturado para atender a este mercado e habilitar profissionais para gerência e liderança de projetos para cinema e TV.

Em sua décima turma, o curso é dividido em sete módulos: História e Economia, Cinema, TV e Novas Mídias, Administração e Negócios, Distribuição e Promoção, Projeto, Palestras e aborda as etapas do processo executivo de uma produção audiovisual, a história do cinema e da TV brasileira além de técnicas de negociação de uma produção.


Local: Fundação Getúlio Vargas - Unidade Barra da Tijuca
Endereço: Av. das Américas, 3693
Data: 24 de julho a 2010 de agosto de 2011
Horário: Quinzenalmente aos sábados de 9h às 16h50
Carga horária: 240 horas / aula
Investimento: R$ 10.350,00 ou matrícula R$ 500 + 15 parcelas de R$ 710,00.
Mais informações: (21) 3799-4812 ou clique aqui

Pós-graduação em Roteiro

Esse é o 1º curso de pós-graduação em roteiro no Brasil que tenho notícia. Parece ótimo, mas tem uma coisa que achei estranha; na grade curricular tem uma matéria chamada "Roteiro de curta metragem ficção" e cadê "Roteiro de LONGA METRAGEM ficção"? Bem, nem tudo é perfeito, mas fiquei muito feliz com essa notícia, quem sabe até eu me formar em cinema o Senac já tenha providenciado uma matéria específica para o desenvolvimento de longas, não que isso seja necessário, a arte de se escrever um roteiro é algo que se aprende fazendo e vendo o resultado na tela.

A mensalidade custa R$ 680,00. Aulas 2 vezes por semana na 2ª e 4ª feira período noturno, começam em agosto deste ano e vão até dezembro do ano que vem no Senac Lapa Scipião em São Paulo. 

Para todas as demais informações e inscrição clique aqui e aqui.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Sobre a experiência de iniciar um cineclube



      Desde quando cheguei à Juiz de Fora, há 5 meses, tinha em mente pôr em prática um projeto de cineclube (na verdade o projeto se tratava de um ciclo de cinema francês, plano ainda não descartado). Os fatores foram se juntando e eis que neste final de semana, durante as comemorações de 160 anos da cidade, iniciamos as atividades do CineClube Bordel Sem Paredes.

Uma semana antes das exibições houve muita correria para formatar o blog e criar o 1º pôster/flyer para divulgação. Do próprio bolso imprimimos 10 pôsteres p/b tamanho A3, colorindo o título “Cinema Marginal Brasileiro” com giz a óleo vermelho para dar destaque, e imprimimos 400 flyers, também em p/b, e distribuímos esse material em algumas universidades e ambientes que julgamos possuir apelo cultural como livrarias, locadoras, cinemas, bibliotecas, museus, cafés, teatros, sebos, etc... E esperamos pelo sábado.

Sábado de estréia

Como trabalho num restaurante à noite não pude comparecer neste dia, mas o Daiverson (tão apaixonado por cinema como eu) estava lá para a 1ª sessão junto do Daniel, técnico de som da Funalfa e responsável pelo Anfiteatro João Carriço e mais 12 espectadores para a exibição de “Os Monstros de Babaloo” de Elyseu Visconti. Confesso que queria muito ter ido nesta sessão e ter visto este filme na tela grande, pois tenho consciência de que nesta situação, tamanho faz, sim, diferença.

     Logo após, às 21hs, “Sem essa Aranha” de Rogério Sganzerla, provavelmente “O” grande filme do cinema brasileiro, sessão essa que também tive o desprazer de perder! O Daiverson disse que na tela grande o filme se transformou numa obra assustadoramente avassaladora, e que após essa sessão dupla ele ficou completamente extasiado de alegria tamanha a grandeza das imagens e movimentos que essas obras exalam. Essa mesma sensação descrita por Daiverson só tive, que eu me lembre, uma vez quando assisti ao longa “Japan, Japan”, filme israelense de 2007 dirigido por Lior Shamriz, detentor de ideais estéticos muito próximos destes filmes exibidos no cineclube. Lembro de ter perdido o fôlego em algumas cenas de “Japan, Japan”.


      Das 12 pessoas na 1ª sessão apenas uma pessoa ficou para a 2ª, completada com mais três espectadores que entraram apenas para ver “Sem essa Aranha”. O público se mostrou chocado com as imagens desses filmes e o que parecia uma brincadeira visto na tela pequena se transformou em algo perturbador na tela grande. 

Cinema Moderno é para poucos

Aqui em Juiz de Fora existe o projeto “Cinema Para Todos”, que aos domingos exibe filmes gratuitamente no mesmo anfiteatro onde exibimos nossos filmes depravados neste final de semana. O público desse projeto é cativo e formado na sua maioria por senhores e senhoras, cidadãos comuns. Antes da 1ª sessão no domingo uma senhora me perguntou qual filme exibiríamos, eu respondi “O Bandido da Luz Vermelha” e fez cara feia ao saber que o filme seria: 1º) brasileiro, 2º) de 1968 e 3º) em preto e branco! “Que absurdo!” deve ter ela pensado. Foi a 1ª a deixar a sessão junto de sua amiga. Havia não mais de 10 pessoas na sala quando o filme começou, 13 se contando eu, o Daiverson e o Daniel.

O mais interessante foi que nenhuma das pessoas em que focamos nossa divulgação compareceu! Lembro que ao mesmo tempo das nossas sessões a cidade explodia em festas, shows, peças e apresentações culturais de todos o tipos, devido o “Corredor Cultural 2010”. Todos aqueles senhores que foram ver um filme domingo a noite são os mesmos senhores que sempre vão, aos domingos a noite, ver um filme gratuitamente no Anfiteatro João Carriço. Ao término de “O Bandido da Luz Vermelha” esses senhores foram embora, ficando na sala apenas nós, os 3 responsáveis. Após um bate papo enquanto esperávamos alguém chegar para a sessão das 21hs, e não chegou ninguém, decidimos passar não o filme que estava na programação (o pouco visto “Hitler IIIº Mundo”), mas sim “Bandalheira Infernal” de José Sette (que tinha entrado e saído da programação), filme que eu ainda não tinha visto e que tinha levado junto comigo já premeditando uma situação como esta. Posso dizer também que este era o único filme com licença para exibição pública, visto que o próprio diretor do longa tinha me presenteado com o dvd para tais finalidades.

Já começado o filme há uns 15 minutos entrou um casal (de amigos? namorados? irmãos? Gostaria de saber quem eram e como acabaram por entrar na sessão), ficaram uns 20 minutos e foram embora. As cenas que estavam passando eram fragmentadas e desprovidas de uma narrativa que privilegiasse o entendimento e a continuidade lógica. Cinema moderno é para poucos, mesmo! Durante a sessão de “Bandalheira Infernal” me senti dentro de um filme vendo um filme. Foi uma sensação metafísica, compartilhada também por Daiverson.

Difícil digerir facilmente o primeiro longa do Sr. Sette, não é o tipo de filme que você simplesmente vê e gosta, ou não gosta. Ele exige mais do espectador, exige discussão, diálogo interno, sei que preciso ver este filme mais vezes para poder assimilar com mais clareza as idéias, senti que ali há algo que me instiga e me deixa curioso. Muitos enquadramentos são esteticamente bem elaborados, mas não é a beleza plástica representada a finalidade do filme. Narrativamente caótico e esculhambado (no bom sentido), deflagra as incertezas e perseguições (real ou imaginária) vividas pelos brasileiros na década de 70 durante a ditadura militar.



















Vida longa ao CineClube Bordel Sem Paredes!