
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Pra quem é fã de GLAUBER ROCHA

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
ACONTECEU EM WOODSTOCK

Ang Lee é o tipo de diretor que acha que pode mudar o mundo com o cinema. É uma visão bastante romântica da profissão, porém não condenável, se eu fosse diretor faria filmes mais ou menos como esse “Aconteceu em Woodstock”.
Elliot é um decorador em NY que se vê obrigado a voltar para sua cidadezinha para ajudar seus pais na administração do hotel da família, que está passando por um delicado momento financeiro.
Esta fórmula é simples e gera, aparentemente, um bom resultado. Como em "O Segredo de Brokeback Mountain", Ang Lee escolhe o interior dos EUA como cenário (referência da nossa sociedade hipócrita e careta) e coloca no centro disso um personagem homossexual (referência de novos costumes) para ir contra os velhos hábitos comuns, mas sem fazer apologias ou levantar bandeiras. A cena tem que parecer o mais natural possível, sem agredir. Um beijo entre dois homens é apenas um beijo, não um manifesto a favor dos direitos dos homossexuais. Não que ele não queira dizer isso, ele quer, ele é o diretor, mas ele sabe fazer a cena acontecer sem que ela pareça forçada ou piegas.
Esse cinema que Ang Lee está fazendo em Hollywood é discretamente libertário. No filme são inúmeras as cenas com pessoas nuas. Pênis, pêlos, vaginas, bundas e peitos por tudo que é lado. Uma das minhas cenas favoritas: durante uma encenação do grupo teatral que vive no seleiro do hotel dos pais de Elliot toda a trupe fica nua perante uma platéia formada pelas famílias religiosas dos moradores locais, há um choque da platéia por causa deste acontecimento e todos saem correndo. Mas a cena em si não foi construida para chocar e sim para fazer humor , colocando a família, rígida em seus costumes morais, como uma coitada pobre inocente atrasada e hipócrita. Minutos depois no filme este momento ecoa, quando num lago próximo ao hotel muitas famílias tomam banho juntas, homens adultos, mulheres e crianças, todos nus, não sentindo vergonha por serem quem são e em nenhum momento isso parece ser uma atitude de sacanagem ou reprimida pelo preconceito.
E por isso “Aconteceu em Woodstock” é um filme leve, uma comédia com teor certamente pretensioso para toda a família e não um filme censurado para maiores de 16 anos, como ficou restrito aqui no Brasil, ou pior, 18 anos para os EUA. O que Ang Lee quer é deixar o mundo menos careta, quer que todo mundo experimente drogas, beije pessoas do mesmo sexo, tenha amizades com pessoas que possuem vida sexual fora dos padrões católicos sem que isso implique em rótulos ou gere qualquer forma de preconceito,
Recentemente um filme usou de uma formula similar para tratar de assuntos considerados difíceis para a sociedade tradicional. Em “Pequena Miss Sunshine” vemos assuntos tabus como drogas, homossexualismo e suicídio através dos olhos de uma menina de 6 anos que entende e aceita os fatos com naturalidade, sem sustos ou opiniões mascaradas.
Assim, o novo filme de Ang Lee retrata os dias loucos de Woodstock por uma perspectiva sóbria e natural, evitando o "megalomanismo", que é o que se pode esperar quando um longa de ficção anseia tratar de tal evento. Ang Lee não se preocupa em viver intensamente o caldeirão efervescente que foi o festival em si, a multidão alucinada nos shows e a piração orgiástica, ele se preocupou apenas em viver conscientemente um momento de transformação e libertação de seu personagem, uma pessoa que não é hippie, não é usuário habitual de drogas e nem vive a cultura do sexo livre, mas que mais cedo ou mais tarde teve contado com isso tudo, sem que isso o transformasse em um junkie ou num “pederasta”. Pra quem não sabe, esse filme é baseado numa autobiografia, escrita pelo próprio Elliot Tiber.
Interessante também no filme é o destaque para o fator “dinheiro”. Woodstock foi o auge da cultura hippie americana, ou seja, pessoas que viviam apenas pelo prazer e pela liberdade, sem se preocupar com dinheiro, o mínimo era o máximo e assim deixavam as coisas acontecerem. Mas o capitalismo está intrínseco na cultura americana, não há como escapar. Na abordagem de Ang Lee, tudo acontece por causa de dinheiro, inclusive o festival. O dinheiro e as negociações vêm muito antes da “paz e amor e música”, mas ele não é o mais importante, ele só serve para revelar contornos da personalidade escondida dos personagens. Uns são generosos, outras gananciosos, uns indiferentes.
A história revela que dos momentos mais improváveis, despretensiosos e quase sem emoção é que surgem os eventos mais inesquecíveis, como quando você sai de casa sem 1 Real no bolso e tem a melhor noitada da sua vida.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Vagas de emprego no Audiovisual
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Coleção Aplauso para baixar gratuita e legalmente.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
CARTA ABERTA AOS RESPONSÁVEIS PELA PROJEÇÃO DIGITAL NO BRASIL
A projeção digital chegou ao Brasil com a missão de democratizar o acesso aos filmes e libertar os distribuidores da dependência de cópias em 35 milímetros, cuja confecção e transporte são notoriamente caros. A instalação de projetores digitais permitiria ao público assistir a títulos que dificilmente seriam lançados nas condições tradicionais e ainda ofereceria condições para que espectadores situados longe do eixo Rio-São Paulo (onde se concentram quase 50% das salas de cinema do país) tivessem acesso aos mesmos títulos simultaneamente.
O que estamos vendo, no entanto, é uma total falta de respeito ao espectador no que se refere à exibição do filme propriamente dita. As razões são basicamente duas: projeções incapazes de reproduzir fielmente os padrões de cor e textura da obra e/ou projeções incapazes de exibir os filmes no formato em que foram originalmente concebidos. Sem falar no som, que muitas vezes ganha uma reprodução abafada, limitada ao canal central, muito diferente de seu desenho original.
A adoção da projeção digital pelos dois maiores festivais internacionais do Brasil (o Festival do Rio e a Mostra de São Paulo) e por outros festivais do país, infelizmente, não respeitou o que seriam critérios mínimos de qualidade de projeção de filmes em cinema – algo que é observado com atenção em qualquer festival internacional que se preze. Trata-se de uma situação particularmente alarmante tendo em vista o papel de formadores de plateia que esses eventos desempenham.
Sucessivamente, temos visto um autêntico massacre ao trabalho de cineastas, fotógrafos, diretores de arte, figurinistas, técnicos de som e até mesmo de atores. Apenas para citar um exemplo: Les herbes folles, o novo filme de Alain Resnais, originalmente concebido no formato 2:35:1, foi exibido no Festival do Rio, com projeção digital, no formato 1:78. Isso representou o corte da imagem em suas extremidades, resultando em enquadramentos arruinados, movimentos de câmera deformados e rostos dos atores cortados. Um pouco como se A santa ceia, de Leonardo Da Vinci, tivesse suas pontas decepadas, deixando alguns discípulos de Jesus fora de campo – e da história. Para completar o desrespeito, não há qualquer aviso em relação às condições de exibição e o preço cobrado pelo ingresso não sofre qualquer alteração.
Não nos cabe, aqui, pregar a “volta ao 35mm” nem defender determinada resolução mínima para a projeção digital. Sabemos que, se respeitados determinados critérios técnicos – ou seja, se a empresa responsável pela projeção digital receber do distribuidor o master no formato adequado, se o processo de encodamento for feito corretamente, e se os ajustes necessários para a exibição de cada filme forem realizados cuidadosamente –, a projeção digital pode ser uma experiência perfeitamente satisfatória para o espectador.
Não é isso, porém, que tem ocorrido. Exibidores, distribuidores e os fornecedores do serviço da projeção digital são responsáveis pela má qualidade da projeção e coniventes com esse lamentável descaso geral, que tem deixado críticos e amantes de cinema indignados. É um desrespeito ao cinema e aos seus criadores, mas, sobretudo, ao espectador e consumidor final, que saiu de casa e pagou ingresso para ver um filme.
A situação chegou a um ponto intolerável. Pedimos a todos os profissionais envolvidos com a projeção digital que tomem providências para que tais deformações não se repitam.
Fórum da Crítica
Clique aqui para assinar a petição

... e com as laterais cortadas.segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Entrevista com a musa do cinema marginal Helena Ignez

Helena Ignez em "A Mulher de Todos" de Rogério Sganzerla (1969)
Ícone do cinema brasileiro moderno, Helena Ignez esteve junto aos grandes gênios da arte cinematográfica, atuando em clássicos com uma beleza e uma forma de atuar única e marcante. Uma carreira singular, estrelada por clássicos como “O Bandido da Luz Vermelha” e “Sem essa aranha”. Segundo o jornalista Vlademir Lazo Correa: “Helena Ignez é tão singular que somente poderia ter sido moldada por relações com homens que viveram o cinema com o corpo e com a alma, no caso alguns dos diretores mais importantes surgidos no país, numa afinidade em que os vínculos da atriz com cada diretor confundem-se e imbrica-se ao ponto de não se saber onde começa a contribuição da musa inspiradora e onde inicia o trabalho de cada um desses cineastas na lenta construção do mito da artista. Até mesmo por que existe um consenso de que Helena não foi descoberta, na verdade ela quem foi incumbida pelos deuses para cruzar os caminhos de Glauber Rocha, Julio Bressane e Rogério Sganzerla.” Esta afirmação é tão autentica que não me resta mais palavras.
Atualmente Helena Ignez trabalha na direção da seqüência de “O Bandido da Luz Vermelha” intitulado “Luz nas Trevas” cujas idéias principais do roteiro foram deixadas em páginas escritas por Rogério Sganzerla antes de morrer em 2003. No principal papel feminino, o longa conta com a participação da filha da diretora com o cineasta, Djin Sganzerla, que no filme contracena com o ator André Guerreiro Lopes.
Por Daiverson Machado - daiversom.machado@emiolo.com

Helena Ignez nos bastidores de "Luz nas Trevas"
O que você aprendeu com Rogério Sganzerla?
São incontáveis tudo o que eu aprendi com ele nestes 35 anos que a gente trabalhou junto, aprendi como aprendiz de cineasta e também como pessoa.
Você se considera marginal?
Não, nem por sonho, eu acho que estou bem por dentro de todo movimento da sociedade, então não sou marginal de jeito algum. E acho que o cinema que eu fiz também não é marginal, pois foi um cinema voltado à linguagem cinematográfica e também voltado para a idéia sofisticada e também popular que não tem nada de marginal.
Como tem sido colocar em prática o projeto de “Luz nas Trevas”?
Fazer um filme não é fácil e exige uma preparação grande, estamos desde 2003 e começamos de certa forma vitoriosos porque ganhamos um incentivo para o desenvolvimento do roteiro e depois também ganhamos todos os editais aqui do Estado de São Paulo. Nós filmamos, mas o que ganhamos nestes editais não é o suficiente para a finalização do filme, ele deve ficar pronto por volta de Julho.
O que podemos esperar deste filme?
Esperar um filme com um roteiro muito interessante, atores ótimos, um filme bastante vital, com esperança no próprio ser humano e também um filme que deverá circular nos festivais.
Será um trabalho autoral seu ou você vai manter a marca de Sganzerla?
É o seguinte, eu tive uma participação enorme neste roteiro porque ele não foi deixado como roteiro, foram deixadas como 9 páginas de anotações sobre o tema, sobre a possibilidade de voltar a filmar esse tema, anotações sobre todos os personagens e o roteiro foi organizado por mim com a colaboração e a interlocução de Guilherme Marback e do Beto Huckenzel, a quem eu dedico o filme. Então o filme é autoral nesse sentido, porque desde o começo ele teve uma concepção, que seria a minha concepção sobre o roteiro, já que fui eu que organizei esse roteiro. E em determinado momento eu precisava de outras forças, forças econômicas e convidei uma outra pessoa para dirigir comigo que foi o Ícaro Martins, mas desde sempre nós tivemos ótimos contatos, ele jamais descordou de nenhuma das minhas idéias e observações, ele foi superfiel interlocutor. Nós juntos na direção de set, houve muita harmonia, porque o importante era levar essas idéias que estavam contidas no roteiro para o filme, sobretudo para realizar o roteiro. Isso também de uma certa forma não é uma atitude sganzerliana, que improvisava mais, existia uma forte base de roteiro, mais as improvisações eram extremamente soltas, nesse caso do “Luz nas Trevas” não, é um filme mais convencional no sentido de não improvisar.
Porque a escolha de Ney Matogrosso para o papel principal de “Luz nas Trevas”?
A escolha veio através de indicações de minhas filhas, Paloma Rocha e Sinai Sganzerla, que me lembraram do Ney. Aí com essa lembrança, demorou poucas horas pra fortificar, eu liguei pro Ney, convidei e ele aceitou. 
Helena Ignez em "A Família do Barulho" de Julio Bressane (1970)
Muitos filmes do cinema marginal brasileiro foram conhecidos pela nova geração através de downloads na internet. O que você acha disso?
Eu acho que tem tudo a ver, os filmes falam de uma maneira mais impactante, é mesmo pra nova geração, esses filmes tem a força da juvenilidade, uma juvenilidade sem idade, porque de uma certa forma foi o que aconteceu com os filmes de Rogério, sempre foram inventivos e marginais nesse sentido da extrema invenção, e nesse sentido o mainstream é mais careta e preso as circunstancias. E esse cinema muito mais livre trazendo a mente, trazendo uma coisa mais nietzscheniana, mais Rimbaud, mais Oswald de Andrade, trazendo humor, trazendo a irreverência, trazendo a anarquia, então exatamente isso tem a ver com a juventude. Existe essa resposta muito grande, principalmente em relação a esses filmes que eu fiz com Rogério e também os filmes que eu fiz com Julio Bressane, que eu vejo que é a mesma coisa tanto no Brasil quanto no exterior.
Como esse cinema é visto no exterior?
No ano passado eu passei uma grande parte viajando pela Europa e também pela Índia e pela Ásia, com convites e homenagens grandes como foi a do Festival de Calcutá para o cinema de Rogério, também em Trieste na Itália no Festival de Cinema Latino Americano eu recebi uma homenagem e recebi outra com um prêmio internacional para meu filme “Canção de Baal”, também estive em Portugal já com um “work in progress” de “Luz nas Trevas”. No ano retrasado foi a mesma coisa, cheio de homenagens e mostras tanto para Rogério quanto para mim. Então de uma certa forma esse cinema está sendo redescoberto, e em todos os lugares, é a mesma gente que gosta dos filmes, são o jovens, os cinéfilos, os intelectuais que não estão satisfeitos com o status quo, que questionam, artistas de todos os tipos e de todas as idades interessados nos filmes e isso é muito legal.
O que existe de bom no atual cinema brasileiro pra você?
Tem alguns filmes que eu gosto muito, que surgem de uma maneira especial, eu poderia citar muitos, mas o cinema que me agrada realmente é o cinema experimental, eles transmitem muita impulsividade. Tem vários filmes que eu gostei esse ano.
Como você vê a sociedade atual, onde, salvo raras exceções, os artistas não trazem ousadia em seus trabalhos?
São filmes que estão para cumprir as obrigações do mercado, pertencem a uma indústria, mais já não é mais a sétima arte, não é mais a arte cinematográfica. Existe algumas pessoas que fazem cinema e que não estão mais engajadas nessa idéia, não é isso o que elas querem, mas dentro desses filmes que enchem as salas podem surgir filmes bons.
A realidade brasileira atual, seria um prato cheio para o deboche e o sarcasmo dos filmes do cinema marginal. Onde foi parar esse sarcasmo e esse deboche no cinema brasileiro atual?
Eu não sei. No “Luz nas Trevas” existe, mas também existe intrínseco no roteiro, a própria linguagem cinematográfica não existe mais, isso é praticamente impossível de fazer. No caso de “Luz nas Trevas” é um filme inserido no mercado. Então esse sarcasmo fica, mais fica de uma maneira muito menos cinematográfica do que foi feito anteriormente, no caso especifico de alguns filmes como “Sem essa aranha”, “O bandido da luz vermelha”, “A mulher de todos”, o sarcasmo e um deboche fantástico, intelectual, inteligentíssimo e ao mesmo tempo entendível por uma grande quantidade de pessoas, isso não tem mais.
Helena Ignez beija Luiz Gonzaga em cena antológica de "Sem Essa Aranha" de Rogério Sganzerla (1970)
De “Glamour Girl” na Bahia a musa do cinema transgressor marginal, como se deu essa transformação em sua vida?
Como o anjo de Drummond, eu nasci para ser gauche na vida, porque desde esse período de glamour girl, ali já existia uma certa contestação, a pessoa era a mesma. Desde criança eu já sabia, não houve uma guinada. Houve um companheiro fortíssimo na minha adolescência que eu conheci aos 17 anos, a quem eu devo muito o destino que a minha vida tomou, que foi Glauber Rocha. Esse companheirismo me apontou uma coisa nova, mas ao mesmo tempo quando eu o conheci eu já tinha me matriculado na escola de teatro. A partir daí os caminhos que eu fui tomando, entre certos e errados... porque existe também certo e errado, desde que você pense como uma dicotomia, um caminho que existe com erros e acertos de qualquer maneira e que é pessoal. No caso nunca houve uma guinada nesse sentido, mas é claro que aquela menina com uma trajetória em concursos de beleza, com sucesso na alta sociedade e de repente ver aquela menina atriz de teatro, levando profundamente a sério e trabalhando também no cinema, estudando pra caramba, eu já tinha saído da sociedade baiana, já não era tão vista, porque já estava em outra área, uma área mais de arte. Pra eles era uma guinada, mais pra mim não, pra mim era como um caminho natural.
Como os filmes do cinema marginal eram vistos na época?
Nós éramos chiquérrimos, marginais chiquérrimos, marginal mesmo entre aspas era Glauber e Rogério, nós éramos bem amigos de Elyseu Visconty e de alguns atores. Então era todo mundo super elegante, chique, vivíamos viajando pela Europa, os meninos eram os dândis, os dois, tanto o Rogério Sganzerla quanto o Júlio Bressane, eu era bemvestidésima, freqüentávamos os melhores lugares e nos divertíamos pra caramba, éramos convidados por todo mundo, não íamos as vezes, não dávamos conta de tanta coisa, existia uma liberdade chique, uma coisa de F. Scott. Ftzigerald só que em uma era psicodélica e não alcoólica.
E de onde vinha o dinheiro?
O dinheiro vinha dos filmes, faziam muito sucesso, muitíssimo sucesso, “O bandido da luz vermelho” foi um grande sucesso, “A Mulher de todos” mais ainda, inúmeros prêmios, eu vivia na ponte aérea porque eu fazia cinema, teatro e televisão, então era uma loucura. O Cinema Novo estava no auge naquela época também, esses filmes estavam surgindo, era uma festa, uma grande festa no meio de uma ditadura, no meio de uma pressão política horrorosa, sem duvida a pior das épocas, porque hoje é diferente, nós temos outras perspectivas, era uma época de bombas mesmo, de terrorismo, você tinha quer ser uma fera pra lutar contra as feras. E foi aí que surgiu a Belair, que foi isso no Rio de Janeiro.
Como foi botar pra fora imagens intimas dos bastidores da Belair no seu filme, “A Miss e o Dinossauro”?
As imagens são lindas, são em Super 8, e a idéia surgiu logo após a morte de Rogério, quando eu vi aquelas imagens belíssimas, quis falar um pouco sobre elas.
Foi uma declaração de amor?
Claro. Com uma música linda que o João Gilberto tinha feito especialmente pra ele que é a “Valsa da Despedida”, o Rogério andava muito com o João Gilberto, e teve essa gravação que ele deu pro Rogério. Então foi isso, uma reunião das idéias e do pensamento dele principalmente, de como o cinema pode ser sublime, de como o cinema pode ser espiritual, o cinema espiritual não no sentido vulgar e religioso, mais no sentido do homem poder se sentir imortal.
domingo, 27 de dezembro de 2009
Experiência AVATAR 3D IMAX




